As seguradoras informaram neste sábado (28) aos armadores que cancelariam as apólices e aumentariam os preços dos seguros para embarcações que transitassem pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz, após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
Seguradoras de risco de guerra enviaram no sábado avisos de cancelamento para apólices que cobrem navios que transitam pelo importante ponto de estrangulamento do petróleo, disseram corretores ao Financial Times, com os preços previstos para subir até 50% nos próximos dias.
A medida incomum de apresentar esses avisos antes da retomada das negociações na segunda-feira (2) ressalta o ritmo da escalada após o Irã lançar ataques retaliatórios contra bases americanas em todo o Oriente Médio.
Os preços dos seguros para navios que transitam pelo Golfo eram cerca de 0,25% do custo de reposição de uma embarcação. Agora, podem subir até a metade, disse Dylan Mortimer, líder de seguros de casco marítimo no Reino Unido da corretora Marsh, ao Financial Times.
Para uma embarcação de US$ 100 milhões (R$ 513 milhões), isso significaria um aumento de 250 mil (R$ 1,285 bi) para US$ 375 (R$ 1,923) por viagem.
Os custos de seguro para navios que escalam portos israelenses, que antes dos recentes ataques representavam cerca de 0,1% do custo de uma embarcação, também podem aumentar em até 50%, disse Mortimer, já que as seguradoras se preparam para uma possível retaliação do Irã .
A maior preocupação entre as seguradoras era se o Irã fecharia o Estreito de Ormuz, disse Mortimer. As seguradoras também estavam levando em conta a possibilidade de grupos armados apoiados pelo Irã tentarem abordar e apreender embarcações, acrescentou.
“Se Israel e os EUA continuarem a atacar o Irã… é mais provável que o Irã comece a tentar usar seu controle por meio da manipulação do tráfego marítimo na região”, disse Mortimer.
Seguradoras de risco de guerra de carga —que cobrem mercadorias transportadas em navios-tanque, como grãos e petróleo— também disseram que estavam se preparando para cancelar apólices na segunda-feira, afirmou outro corretor.
Após o cancelamento das apólices, esperava-se que as seguradoras renegociassem a cobertura a preços mais altos, disseram os corretores, em vez de negar cobertura para navios que navegassem na região. Alguns armadores também estão se afastando do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial.
Neste sábado (28), pelo menos três navios se afastaram do estreito, em vez de atravessá-lo, pois os armadores avaliaram o risco de serem atacados na estreita via navegável.
A EOS Risk, uma empresa de consultoria, também afirmou que alguns navios receberam o que parecia ser um aviso por rádio da Guarda Revolucionária Iraniana de que o estreito estava agora fechado à navegação.