O Spotify pagou mais de US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) à indústria musical em 2025, segundo dados divulgados pela empresa. De acordo com a plataforma, trata-se do maior valor já pago por um único varejista de música em um ano, elevando o total acumulado de royalties distribuídos para cerca de US$ 70 bilhões desde a criação do serviço.
A empresa afirma que mais da metade desses pagamentos foi destinada a artistas e selos independentes.
Os números indicam ainda uma expansão do grupo de artistas que conseguem gerar renda significativa com streaming. Em 2025, mais de 13,8 mil artistas teriam recebido ao menos US$ 100 mil em royalties pelo Spotify, cerca de 1.400 a mais do que no ano anterior.
Os dados fazem parte do relatório “Loud & Clear global”, que analisa anualmente milhões de dados para entender a economia do streaming de música
Segundo a companhia, também aumentou o número de carreiras de alto rendimento na plataforma. Atualmente, mais de 80 artistas geram mais de US$ 10 milhões por ano apenas com royalties do Spotify — valor que, há cerca de uma década, era alcançado apenas pelo artista mais ouvido do serviço.
A empresa afirma que o crescimento ocorre também entre músicos menos conhecidos. O artista na posição de número 100 mil no ranking recebeu mais de US$ 7.300 em 2025, ante cerca de US$ 350 dez anos antes.
O Spotify também destacou o papel de suas playlists editoriais. Entre os artistas que hoje geram mais de US$ 100 mil anuais na plataforma, mais de um em cada dez teria sido inicialmente incluído na playlist “Fresh Finds”, dedicada a músicos emergentes.
Outra informação é que mais de um terço dos artistas que faturam pelo menos US$ 10 mil anuais na plataforma começaram ou mantêm suas carreiras de forma independente, sem o suporte inicial de grandes selos.
Pela primeira vez, a barreira linguística parece ser um obstáculo do passado. Segundo a plataforma, canções em 16 idiomas diferentes alcançaram o Top 50 Global em 2025, mais do que o dobro do registrado em 2020.
Nesse cenário multilingue, o funk brasileiro lidera a expansão com um crescimento de 36% em receita gerada, superando gêneros já consolidados como o k-pop (+31%) e o trap latino (+29%).
Os dados mostram que a carreira de um artista não está mais limitada ao seu país de origem. Em média, apenas dois anos após a estreia, artistas já veem mais da metade de seus royalties virem do exterior. Em 2025, artistas de 75 países diferentes geraram mais de US$ 500 mil em royalties anuais no Spotify. Há apenas um ano, esse número estava restrito a 66 países.
Além disso, a plataforma direcionou mais de US$ 1,5 bilhão em vendas de ingressos para shows em 2025. Cerca de 40% dos artistas em turnê registraram um aumento de pelo menos 10% em sua receita total gerada via Spotify graças à venda direta de bilhetes.
No topo da cadeia produtiva, os compositores também atingiram marcos históricos. Nos últimos dois anos, a empresa pagou cerca de US$ 5 bilhões para detentores de direitos de edição (publishers) e organizações de direitos autorais, um crescimento de 2,5 vezes em comparação aos últimos cinco anos. Somente nos últimos dois anos, o Spotify pagou aproximadamente US$ 5 bilhões para editoras e organizações que representam compositores.
Sam Duboff, responsável pela área de marketing e políticas da divisão de música do Spotify, ainda reforçou em sessão que a empresa vem prestando atenção em artistas criados por inteligência artificial e em uma maior transparência com o ouvinte. Outros pontos ressaltados foram novas formatações para realçar os créditos de músicas, a criação de playlists com o algoritmo do streaming e um posicionamento certo contra a pirataria.
Hoje, o aplicativo de streaming musical tem cerca de 751 milhões de usuários, 151 milhões a mais do que o relatório de 2024 indicava.