Um dos alvos da operação deflagrada nesta terça-feira (31) para apurar uma tentativa de golpe milionário contra o fundador da rede Unip-Objetivo é o empresário Luiz Teixeira da Silva Júnior, sócio da clínica que em 2024 emitiu um laudo fraudulento indicando que o então candidato a prefeito de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) usava cocaína.
A Justiça decretou sua prisão temporária. A Folha ligou e enviou mensagem para a defesa do empresário na manhã desta terça-feira, mas não obteve retorno até o momento.
Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público de São Paulo, o dono da clínica envolvida no episódio do laudo é também pivô na tentativa quase bilionária de golpe contra o fundador da rede Unip-Objetivo, João Carlos Di Genio, morto em 2022.
O Ministério Público afirma que o esquema seria “altamente sofisticado” e envolvia mais de uma frente destinada a fraudar documentos. Teixeira, de acordo com as investigações, é dono da principal empresa suspeita no caso, a Colonizadora Planalto Paulista.
Segundo a Promotoria, os alvos da operação falsificaram a assinatura de Di Genio para simular a compra de bens em até R$ 845 milhões. Essas negociações, que nunca existiram, envolviam tanto contratos particulares forjados como decisões de uma câmara de arbitragem de fachada.
A participação de Teixeira na falsificação da assinatura do laudo é citada pelo Ministério Público na representação que levou a Justiça de São Paulo a decretar sua prisão preventiva.
O documento foi divulgado às vésperas da eleição e foi amplamente explorado na época ao mesmo tempo em que continha uma série de contradições. O RG de Boulos estava incorreto, com um número a mais, e o médico que assinava o prontuário, José Roberto de Souza, já havia morrido.
Tanto Teixeira como o então candidato Marçal foram denunciados na Justiça Eleitoral por ocasião do episódio. O ex-coach nega ligação com o episódio.
Hoje, apenas o empresário responde ao processo porque Marçal fez acordo para suspender o caso sob determinadas condições. Entre elas estão “a proibição de frequentar bares, boates e casa de prostituição“. Ele também não pode deixar a cidade de Barueri, onde mora, sem autorização judicial.
O pedido do Gaeco também cita potenciais ligações de Teixeira com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e uma outra ação penal a que ele responde, que também o acusa de falsificar diploma de medicina.