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SXSW encolhe enquanto vê participação brasileira inflar – 16/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

“E aí, já organizou a sua trilha?” A frase, assim em português e com linguajar peculiar de um festival que promete entregar o que será o futuro em áreas diversas como cultura, educação e tecnologia, é quase um “oi, tudo bem?” no SXSW, em Austin.

O evento virou destino preferido de brasileiros, que são, pelo segundo ano consecutivo, a segunda maior delegação, atrás apenas dos participantes norte-americanos.

Em sua 40ª edição, o festival vive uma crise estrutural, sem seu principal centro de convenções, que será reconstruído, o que o levou a encolher. Antes realizado em nove dias, passou para sete. O número de inscritos e de patrocinadores diminuiu.

“Questões políticas influenciaram [essa queda]”, acredita Tracy Mann, consultora do SXSW e responsável pelas relações com o público brasileiro. Ela se refere às guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, às tensões do governo Trump com outros países e à política anti-imigratória nos EUA.

O número oficial de participantes costuma ser divulgado ao final do evento. Em 2025, foram 37 mil, com cerca de 2.500 do Brasil.

Tracy tem participação nessa onipresença brasileira observada em Austin. A americana viveu na Bahia nos anos 1970, fala português fluentemente e há anos trabalha para o festival texano. A delegação brasileira pode até cair um pouco em relação ao ano passado, diz ela, mas menos do que a redução no total de participantes.

Isso faz com que seja impossível não ouvir português em qualquer uma das longas filas para painéis ou nas ruas da região central de Austin. Só pela credencial do evento paga-se R$ 6.000.

Um investimento muito maior foi feito por dois estados do país para estarem no festival: São Paulo e Minas instalaram casas temáticas na região do evento.

A sede paulista recebeu nomes celebrados como Amy Webb, futurista que divulga todos os anos um relatório de tendências para o ano. O local teve quatro dias de programação. O investimento foi de R$ 9,9 milhões do Governo de São Paulo e R$ 6,8 milhões de empresas parceiras.

Marcas como Oracle, Itaú e Toyota patrocinam o espaço de 2.200 m² na avenida Congress, região central da cidade. No ano passado, o local sediou a casa de Dubai.

Uma das responsáveis pela organização da SPHouse, a secretária de Cultura de São Paulo, Marilia Marton, afirma que a presença se justifica pelos negócios fechados por empresas paulistas. “O retorno é imensurável”, diz ela.

É o terceiro ano da casa paulista. O governo do estado também tem um programa de incentivos para startups irem ao evento. Em 2025, Ana Paula Passarelli, dona de uma agência que trabalha com criadores e influenciadores digitais, foi selecionada pela iniciativa, que banca até US$ 3.000 (R$ 15.700) em custos.

“Conversas que iniciei aqui me levaram a fechar pelo menos três negócios no ano”, diz Passarelli, que retornou ao evento este ano.

Olhar os crachás de quem circula pelo SXSW permite identificar os nomes das maiores empresas do país: de Itaú a Nubank, passando por executivos de multinacionais no Brasil, como Oracle e Meta (dona de Facebook e Instagram).

Na SP House, os executivos dividem espaço com alguns estrangeiros e outras figuras conhecidas do público brasileiro. Fausto Carvalho, criador do Menzinho, que faz uma caricatura de um “farialimer” circula no local. Michel Alcoforado, antropólogo de luxo, autor do livro “Coisa de Rico”, também está presente. Tentar conversar com ele resulta em ser interrompido a cada minuto por brasileiros que pedem licença para cumprimentá-lo.

Estar no SXSW seria coisa de rico? “Já foi mais”, responde Alcoforado. “Donos, CEOs costumavam vir e ostentavam por estar aqui. Agora, eles encontram seus analistas, gerentes, diretores em Austin. Passou a valer a quantas edições você já veio”, reflete o antropólogo.

O Governo de Minas Gerais também inaugurou uma casa em Austin. Assim como a paulista, a sede mineira entrou na lista do calendário do evento, o que garante divulgação no aplicativo oficial usado como guia pelos participantes. Para aparecer ali é preciso pagar cerca de US$ 50 mil (R$ 260 mil) por dia, apurou a Folha.

A Casa Minas teve investimento de R$ 7 milhões, segundo a secretária de Cultura e Turismo, Bárbara Botega. Desse valor, R$ 2,2 milhões vieram do governo do Estado. O restante foi pago por patrocinadores, desde estatais como a Cemig a empresas privadas como Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração.

“Queremos a internacionalização de Minas. O mundo fala sobre minerais críticos, nióbio. Bom, precisamos mostrar de onde eles vêm”, afirma Botega.

A comitiva mineira tem 45 empresários do estado e 15 startups selecionadas. “O nosso principal objetivo é que eles [startups] consigam investidores aqui”, afirma.

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