O presidente dos EUA, Donald Trump, está planejando reduzir algumas tarifas sobre produtos de aço e alumínio enquanto enfrenta uma crise de custo de vida no país, que tem prejudicado seus índices de aprovação antes das eleições de meio de mandato em novembro.
O republicano impôs tarifas de até 50% sobre importações de aço e alumínio em junho do ano passado e expandiu os impostos para uma série de produtos fabricados com esses metais, incluindo máquina de lavar e forno.
Mas, agora, seu governo está revisando a lista de produtos impactados pelas taxas e planeja isentar alguns itens, interromper a sua expansão e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos, de acordo com três pessoas familiarizadas com o assunto.
As pessoas ouvidas disseram que autoridades comerciais do Departamento de Comércio e do Escritório do Representante de Comércio dos EUA acreditavam que as tarifas estavam sendo prejudiciais aos consumidores, pois elevavam os preços de produtos que contêm esses materiais.
A ofensiva tarifária de Trump elevou as taxas alfandegárias dos EUA ao nível mais alto desde antes da Segunda Guerra Mundial. Mas o presidente tem recuado repetidamente em algumas de suas tarifas mais rígidas em meio à insatisfação dos eleitores com a crise de custo de vida no país.
Mais de 70% dos adultos norte-americanos classificam as condições econômicas como regulares ou ruins, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center publicada este mês. Cerca de 52% dos norte-americanos acham que as políticas econômicas de Trump pioraram as condições.
O governo já concedeu isenções para produtos alimentícios populares em uma tentativa de conter a inflação nosupermercado para boa parte da população. Também declarou uma trégua em sua guerra comercial com a China depois que Pequim retaliou com suas próprias tarifas.
A decisão de suavizar as tarifas sobre aço e alumínio, que foram uma das primeiras a serem introduzidas no segundo mandato de Trump, ocorre enquanto economistas afirmam que os norte-americanos estão pagando pelas taxas, contradizendo a alegação do presidente de que empresas estrangeiras arcariam com essas despesas.
A guerra comercial de Trump também gerou críticas entre políticos aliados. Na quarta-feira (11), membros do partido Republicano se juntaram aos oposicionistas democratas quando a Câmara dos Representantes dos EUA votou para derrubar as tarifas de Trump sobre o Canadá —uma grande repreensão à sua guerra comercial contra o segundo maior parceiro comercial dos EUA. Espera-se que Trump vete o projeto de lei, mantendo as taxas em vigor.
Vários parlamentares republicanos enfrentam batalhas eleitorais difíceis em seus estados nas eleições de meio de mandato de novembro, em meio à insatisfação dos eleitores com o impacto das tarifas em pequenas empresas e consumidores.
A última medida sobre as tarifas de metais também visa trazer clareza a um processo de lobby cada vez mais complicado em Washington que surgiu desde que Trump impôs as taxas.
Até agora, o governo tem permitido amplamente que empresas norte-americanas façam lobby para que produtos de aço e alumínio fabricados por concorrentes estrangeiros sejam atingidos por tarifas, em um chamado processo de inclusão.
A medida tem sido conduzida pelo Departamento de Comércio, que aprovou a maioria dos pedidos de empresas nacionais, que citaram riscos de “segurança nacional” associados a produtos.
Mas o mecanismo levou a uma lista extensa de produtos domésticos sujeitos a tarifas de até 50% devido ao uso de aço e alumínio, como por exemplo peças de bicicleta.
Autoridades sentiram que o regime tarifário era “complicado demais para aplicar”, disse uma pessoa, e precisava ser simplificado.
Países como Reino Unido, México e Canadá, bem como membros da UE, podem se beneficiar de qualquer flexibilização das tarifas dos EUA sobre produtos feitos de aço e alumínio.
Um líder empresarial europeu, que preferiu não ser identificado, afirmou que conhecia uma empresa que enviou quatro contêineres idênticos de maquinário para os EUA e foi cobrada taxas diferentes para cada um.
O Departamento de Comércio ofereceu pela última vez às empresas norte-americanas a oportunidade de indicar fornecedores estrangeiros que seriam atingidos por tarifas em outubro, mas ultrapassou seu próprio prazo de 60 dias para aprovar novas taxas.
Como parte dessa rodada, fabricantes de colchões, formas de bolo e bicicletas fizeram lobby por tarifas extras sobre empresas estrangeiras.
Os quase 100 pedidos mostram a ampla gama de itens que as empresas alegam representar um risco de segurança nacional para os EUA.
Uma empresa argumenta em seu pedido que os soldados das Forças Armadas dos EUA não conseguiriam manter uma dieta saudável sem o consumo de pães, pães crocantes, bolos e outros doces.
O Departamento de Comércio, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA e a Casa Branca se recusaram a comentar.