São Paulo
Seis espetáculos de estados do Centro-Oeste fazem parte da programação da Mostra Internacional de Teatro deste ano. Em três deles, a relação humana com o território e a causa ambiental são temas.
No brasiliense “Galhada, em Tempos de Fissura”, uma mulher ganha partes de planta no corpo. No sul-matogrossense “Cabeça de Toco”, o elenco interage com pedaços de madeira, lembrando bichos. Já no goiano “Repúblikkk”, a extinção do cerrado é um dos temas.
Novidade na mostra, o projeto “Conexões Centro-Oeste” é parceria do Itaú Cultural com o evento. A ideia é estimular a circulação de trabalhos que podem enfrentar dificuldade para vir a São Paulo, segundo Carlos Gomes, responsável pela programação da instituição. Junto a Galiana Brasil, também do Itaú Cultural, Gomes fez a curadoria dos espetáculos.
Cena do espetáculo ‘Republikkk ou Encruzilhada Não É Beco’
–
Angela Macário /Divulgação
Em comum, os trabalhos evidenciam características do território e refletem sobre a crise climática. “A gente está vendo o mundo acabar primeiro”, diz Febraro de Oliveira, artista que se apresenta em “Cabeça de Toco”, em referência à mudança da paisagem na região causada pela forte presença do agronegócio.
Para tratar do tema, o cenário se torna personagem. “O território não é um fetiche, uma ilustração. É um protagonista”, diz Hercules Morais, diretor de “Repúblikkk”.
Nascido em São Paulo, ele se mudou para o cerrado de Goiás para criar a peça. Lá, encontrou uma nova forma de fazer teatro, “com menos estrutura e mais invenção”.
Oliveira também ressalta a riqueza no processo criativo da região, mas diz que um dos grandes desafios do trabalho ali é a falta de intercâmbio com grupos de outros estados.
A maioria das seis equipes que vêm do Centro-Oeste para a MITsp nunca se apresentou na capital paulista. Para Oliveira, a seleção que destaca a região tira a pecha de Brasil profundo desses estados e é também uma aposta para o público entender que o Brasil possui muitos centros.
Além de reconhecimento às obras, a participação no evento é uma oportunidade de fazê-las circular ainda mais pelo Brasil e pelo mundo.
Parte importante disso é a presença de profissionais responsáveis por festivais de artes cênicas ou curadores de teatros. Neste ano, vêm a São Paulo 65 programadores internacionais e 71 nacionais.
A percepção de Antonio Araujo, diretor do evento, é que isso tem impulsionado a circulação de trabalhos brasileiros no cenário do teatro internacional.