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The Rose: Documentário mostra superação da banda coreana – 12/02/2026 – K-cultura

by Silas Câmara

The Rose, uma das principais bandas do cenário indie rock sul-coreano, começou a carreira fazendo apresentações de rua em Seul e foi parar nos palcos do Coachella e Lollapalooza. Um documentário que estreia nesta quinta (14) nos cinemas brasileiros se dedica a narrar a trajetória do quarteto.

A produção, distribuída pela Sato Company, é um documentário mesmo, diferente dos cine-concertos do pop da Coreia do Sul que têm dominado as telonas. Em “The Rose: Come Back to Me”, os fãs conhecem a história de cada integrante, as primeiras impressões que tiveram dos colegas, a formação da banda e como surgiu o nome.

O quarteto é formado por Woosung Kim, mais conhecido como Sammy (líder, vocais e guitarra), Dojoon Park/Leo (vocais, guitarra e teclado), Taegyeom Lee/Jeff (baixo) e Hajoon Lee/Dylan (bateria).

Eles se diferem dos grupos tradicionais do k-pop: tocam instrumentos, não dançam coreografias e produzem as próprias músicas. Mas ainda mantêm um pouco da estética arrumadinha, com cabelos coloridos, têm lightsticks próprios e transitam entre os fãs do gênero.

Os integrantes foram trainees em gravadoras de k-pop e passaram pelo treinamento rígido dessa indústria, que inclui aulas de dança, canto, performance e outras o dia inteiro. Eles, no entanto, decidiram trocar a chance de se tornar ídolos pop pelo projeto autoral.

“Músicos devem se expressar, mas isso não era permitido”, diz Sammy num trecho. “Me sentia como um robô, sentia como se fosse uma marionete no show deles. Eu não tinha mais uma vida normal, tiraram meu celular. Fazia dietas extremas, porque precisava ter certa aparência. Entrei em depressão.”

Dylan conta que tocava na igreja e sempre quis tocar bateria numa banda, então se recusou ao pedido da gravadora de que fizesse outra coisa. Quando os quatro se juntaram, foram morar juntos e ensaiaram numa sala de estúdio todos os dias por um ano, fazendo covers e se enturmando.

A banda debutou em 2018 com “Sorry”, música triste e reflexiva, inspirada no término de namoro de um dos cantores. De início, a empresa relutou em lançá-la, pois queriam algo mais animado. A insistência deu certo e a canção fez sucesso não na Coreia do Sul, mas na Europa. Meses depois, receberam proposta de turnê pelo continente.

O documentário destaca a história cheia de superações da banda. Entre elas, o embate com a gravadora. A empresa queria Sammy como artista solo e tentou desmantelar o quarteto, afirmam. Após a estreia, os membros abriram um processo por falta de transparência no pagamento —com isso, correram o risco de perder o direito ao nome e às músicas. Foram processados de volta, mas venceram o caso.

Durante esse hiato, veio a pandemia e eles aproveitaram para prestar o serviço militar obrigatório. A produção mostra ainda como integrantes superaram a depressão —o que ajuda explicar a pegada auto-ajuda de algumas de suas canções e do slogan, “Curar juntos”.

O The Rose retornou em 2022 e começou a avançar. Assinaram contrato com a Transparent Arts, gravadora fundada pelo Far East Movement, grupo americano de ascendência asiática conhecido pelo hit “Like a G6”. Fizeram parceria com Suga, do BTS, e aparições em programas de TV coreanos.

Mas um caso pausou o crescimento na terra natal, mercado importante para eles. Empresas descartaram ofertas quando saíram notícias de que Sammy, que cresceu nos Estados Unidos, havia sido detido no passado por fumar maconha —o consumo é proibido no país asiático.

A banda, dizem, sempre foi mais popular fora de casa. Os membros falam inglês e misturam com coreano ao cantar, o que ajuda na expansão.

O quarteto já mostrou que tem público no Brasil. Vieram em 2018 e 2022 —nesta última, anunciaram show no Cine Joia, para 1.500 pessoas. Após reclamações dos fãs, mudaram para o Espaço Unimed, com capacidade de 8.000 lugares.

Três meses depois, entraram no line-up do Lollapalooza após uma substituição e se tornaram a primeira banda sul-coreana a tocar na edição brasileira do festival. O documentário, no entanto, não aborda os shows no Lollapalooza na América do Sul. No lugar, foca nos bastidores da apresentação no Coachella, um dos maiores festivais dos EUA, em 2024, e ponto alto da jornada até agora.


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