Um dia após dizer que considerava desacelerar a guerra contra o Irã por considerar seus objetivos quase alcançados, o presidente Donald Trump emitiu um ultimato para que a teocracia libere o tráfego pelo estreito de Hormuz em 48 horas, sob pena de ter sua infraestrutura energética destruída.
A nova ameaça do republicano foi publicada na noite deste sábado (21) na rede Truth Social, e remete ao nó que ele não consegue resolver: retomar o tráfego de navios pelo caminho que escoa 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta.
Este é o grande ativo geopolítico de Teerã nestas três semanas de conflito iniciado pelos Estados Unidos e por Israel. Tendo militarizado grande parte do estreito, do qual controla as costas ao norte, os aiatolás determinaram seu bloqueio, na prática.
O petróleo e o gás viram seus preços dispararem, levando a um pânico generalizado nos mercados e potenciais impactos inflacionários —do diesel de caminhões ao frete de alimentos, tudo é impacto na cadeia.
Apenas alguns navios de bandeiras neutras passam, segundo relatos não confirmados pagando até US$ 2 milhões de pedágio. Trump tentou atrair europeus e asiáticos para uma força-tarefa visando escoltar petroleiros e afins, mas não teve sucesso.
Depois de se queixar de dizer que faria o serviço sozinho, na sexta-feira (20) disse que os aliados europeus eram “covardes”. Neste sábado, 22 países do continente, Oriente Médio, Ásia e Oceania divulgaram nota prometendo apoiar medidas na região, mas não falaram em enviar navios de guerra.
Ao longo da semana, os EUA passaram a atacar mais fortemente posições no estreito, usando armamentos de uso próximo dos alvos, como aviões de ataque A-10 e helicópteros Apache. Neste sábado, as Forças Armadas disseram ter degradado bastante as capacidades iranianas na região.
“Se o Irã não abrir completamente, sem ameaças, o estreito de Hormuz em 48 horas a partir de agora, os EUA vão atingir e obliterar várias usinas de energia, começando pela maior de todas primeiro”, escreveu Trump.
O Irã, que havia acabado de fazer ondas de ataques bastante destrutivas com mísseis balísticos no sul de Israel, ferindo cerca de 100 pessoas, não piscou. Seu comando militar emitiu nota dizendo que qualquer ataque à infraestrutura militar do país será respondido com a mesma moeda contra instalações americanas no golfo Pérsico.
Com isso, é retomado o impasse da semana passada, quando Israel atacou o lado iraniano do maior campo de gás natural do mundo, só para ver o Irã destruir quase 20% da capacidade de processamento da commodity do Qatar na sequência.
Trump interveio, disse que Tel Aviv não mais atacaria campos de gás natural, mas ameaçou fazê-lo se o Irã repetisse a ação contra os qataris, que sediam a maior base americana na região, Al-Udeid. Teerã afirmou o mesmo, que atacaria se atacada, e o assunto parecia resolvido por ora.
Na noite de sexta, o presidente dos EUA havia escrito que considerava desacelerar a guerra. Israel disse, ao longo do sábado, que os ataques conjuntos com seu aliado dobrariam de intensidade na semana. A nova ameaça de Trump parece se encaixar neste vaivém de mensagens, que até aqui não dobraram a teocracia.