A defesa de ex-acionistas do Twitter pediu à Justiça dos Estados Unidos nesta terça-feira (17) que Elon Musk seja responsabilizado por derrubar o preço das ações da rede social em 2022 ao tentar desistir ou renegociar a compra de US$ 44 bilhões (R$ 228,5 bi) da plataforma.
Em suas alegações finais em um tribunal federal de San Francisco, o advogado Mark Molumphy disse aos jurados que Musk fraudou os acionistas ao questionar publicamente, em três ocasiões diferentes, se o Twitter estaria infestado de contas falsas e de bots.
À época, ele também disse que a plataforma talvez tivesse quatro ou cinco vezes mais contas falsas do que os 5% divulgados.
Molumphy também alegou que Musk não se importou com isso quando assinou o acordo de fusão em abril de 2022, apesar de já saber naquela época que o Twitter subestimava o número de bots. “Ele destruiu a empresa. Destruiu os executivos. E afundou as ações”, disse Molumphy.
O advogado do dono da Tesla, Michael Lifrak, rebateu em suas alegações finais, e afirmou que o bilionário tinha uma preocupação real com a questão e estava focado em determinar a gravidade do problema, não em economizar dinheiro.
“Dois tweets e um podcast não equivalem a fraude de valores mobiliários”, disse Lifrak aos jurados. Tudo o que os autores argumentaram, disse ele, é que se Musk tivesse ficado em silêncio, as ações não teriam caído, mas eles não apresentaram nenhuma evidência de fraude.
O júri iniciou as deliberações e foi dispensado no final do dia sem chegar a um veredito. A expectativa é que retomem as deliberações nesta quarta-feira (18), disse um oficial do tribunal.
Os jurados vão avaliar se as três declarações de Musk sobre bots foram fraudulentas e se ele tramou para fraudar os acionistas do Twitter ao derrubar o preço das ações. Se a resposta for não, Musk vence. Se a resposta for sim, os jurados analisarão possíveis indenizações.
Musk começou a questionar sua compra do Twitter pouco depois de concordar com ela, postando na própria plataforma que a transação estava “temporariamente suspensa” e que a porcentagem de bots poderia ser de 20% ou mais.
Em uma das declarações citadas pela defesa dos ex-acionistas, ele tuitou em 17 de maio de 2022 que a compra “não poderia prosseguir” até que o presidente-executivo do Twitter provasse que a porcentagem de bots era inferior a 5%.
O Twitter posteriormente processou Musk para forçar a conclusão do negócio, o que aconteceu em outubro de 2022. Musk depois rebatizou o Twitter como X, e a plataforma agora faz parte da SpaceX, sua empresa de foguetes e satélites.
Além da disputa com os ex-acionistas, Musk também está agora em negociações para resolver um processo civil da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA que o acusa de violar a lei federal ao demorar demais para divulgar suas compras iniciais de ações do Twitter em 2022, com o objetivo de adquirir mais papéis antes que os investidores percebessem.
O atual julgamento em San Francisco começou em 2 de março. O processo abrange investidores que venderam ações do Twitter entre 13 de maio e 4 de outubro de 2022.
O X representa apenas uma pequena parte do patrimônio líquido de Musk, que a revista Forbes estima em US$ 836,4 bilhões (R$ 4,3 tri).
A compra pela SpaceX no mês passado da empresa de inteligência artificial xAI de Musk, que já era dona do X, criou a empresa privada mais valiosa do mundo, avaliada em cerca de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,4 tri) na época.