Palco da assinatura do acordo em janeiro, o Paraguai também ratificou o tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, completando o processo legislativo após aprovação unânime na Câmara dos Deputados.
Com 57 votos a favor, o Paraguai se tornou o último dos membros fundadores do bloco sul-americano a apoiar o acordo, que promete criar a maior área de livre comércio do mundo.
O pacto promete eliminar tarifas em mais de 90% do comércio entre as partes, o que representa 30% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial e mais de 700 milhões de consumidores.
Os parlamentos da Argentina, Brasil e Uruguai já tinham ratificado o texto. A aprovação pelo Paraguai era esperada.
Uruguai e Argentina foram os primeiros a ratificar o tratado, no dia 26 de fevereiro, com uma diferença de poucas horas a favor dos uruguaios, o que irritou o presidente argentino, Javier Milei.
O Congresso Nacional brasileiro promulgou o texto nesta terça-feira (17), com a vigência provisória prevista para ter início em maio.
“A assinatura do acordo entre Mercosul e a União Europeia é, sem dúvida, um dos acordos comerciais mais importantes do século”, celebrou o presidente da Câmara dos Deputados paraguaia, Raúl Latorre.
Ele mencionou cotas para produtos como açúcar orgânico e carne suína. O vice-ministro Miguel Ángel Aranda Daroczi destacou a oportunidade que o acordo traz para os países do Mercosul. Em 2024, a União Europeia representou 5,9% do comércio total do Paraguai.
O presidente paraguaio Santiago Peña descreveu o pacto como uma decisão estratégica em um momento de tensões globais. Em entrevista à Folha em janeiro, ele disse que o acordo é uma oportunidade para desenvolver a América Latina.
“Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não só combinam um enorme potencial na produção de alimentos, integração e transição energética, como também têm uma população jovem que possui exatamente tudo o que falta à Europa“, disse.
Do lado europeu, o acordo enfrenta resistência em países como a França, preocupados com seu impacto na agricultura. O Tribunal de Justiça da União Europeia está analisando a legalidade do tratado, um processo que poderia demorar até dois anos.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, anunciou que a parte comercial do acordo começou a valer provisoriamente, após a aprovação dos parlamentos da Argentina e do Uruguai.
Para que isso seja oficial, Bruxelas precisa enviar uma nota ao Paraguai, o país depositário do acordo. Além disso, Brasil, Argentina e Uruguai também devem enviar a mesma nota à Comissão Europeia.