Imagens de câmeras de segurança divulgadas nesta terça-feira (31) mostram uma dinâmica diferente da relatada por testemunhas e pelo motorista de ônibus no caso que terminou com a morte da geógrafa Emanoelle Martins Guedes de Farias, 40, e do filho dela, Francisco Farias Antunes, 9, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.
O acidente ocorreu na tarde de segunda-feira (30), na rua Conde de Bonfim, uma das mais movimentadas da região.
Nos depoimentos iniciais, testemunhas e o condutor do coletivo afirmaram que um carro preto teria fechado, ou até encostado, na bicicleta elétrica em que mãe e filho estavam, provocando a queda. As imagens, no entanto, não indicam a participação direta desse veículo na dinâmica do acidente.
O vídeo mostra Emanoelle e o filho trafegando pela faixa da esquerda da via, por volta das 13h15, na altura da rua Pinto de Figueiredo, poucos metros à frente de um ônibus da linha 606.
Em determinado momento, o coletivo sai da faixa da direita para a esquerda, aparentemente para desviar de um táxi parado próximo à calçada. Ao se aproximar da bicicleta, o ônibus passa muito perto das vítimas, que ficam encobertas pelo veículo.
Segundos depois, mãe e filho reaparecem já caídos no asfalto. Pessoas que estavam próximas correm para prestar socorro, enquanto o ônibus para alguns metros à frente.
Ainda segundo as imagens, um carro escuro que aparece na via permanece o tempo todo atrás do ônibus e não se aproxima da bicicleta. O veículo chega a frear após o acidente e só passa pelo local cerca de quatro minutos depois, às 13h19.
A Polícia Civil disse que o caso foi registrado na 19ª DP (Tijuca) e que agentes analisam imagens de câmeras de segurança e colhem depoimentos para esclarecer as circunstâncias do acidente. A perícia foi realizada no local, e outras diligências estão em andamento.
Procurado, o Rio Ônibus afirmou que o caso é acompanhado pelo departamento jurídico da empresa.
Francisco, conhecido como Chico, será velado nesta quarta-feira (1º), às 9h, no Cemitério do Caju. As informações sobre o velório de Emanoelle não foram divulgadas.
Mãe e filho morreram após cair da bicicleta elétrica e serem atingidos pelo ônibus. Emanoelle morreu no local, e a criança chegou a ser socorrida pelo Samu, mas não resistiu no caminho para o Hospital do Andaraí.
A geógrafa era formada pela UFRJ e desenvolvia pesquisas em temas ligados a conflitos territoriais e integração na América do Sul. Chico era estudante do Colégio Pedro 2º e filho do humorista Vinicius Cacofonias, com quem aparecia com frequência em vídeos nas redes sociais.
O caso ocorre em meio à recente regulamentação das bicicletas elétricas na cidade. Desde 2024, a Prefeitura do Rio permite a circulação desses veículos em ciclovias e ciclofaixas, desde que sejam do tipo com pedal assistido, tenham velocidade máxima de 25 km/h e potência de até 350 watts. Modelos com acelerador ou que ultrapassem esses limites não são considerados bicicletas e ficam sujeitos a regras mais rígidas, como registro e habilitação.