Em meio às manifestações realizadas no Irã após o ataque realizado por Estados Unidos e Israel, um vídeo compartilhado em redes sociais no sábado (28) mostra carros circulando em uma rua de Karaj. A via está repleta de pessoas que, de acordo com a descrição, celebram a morte do líder supremo, Ali Khamenei. Entre os veículos, aparece um Volkswagen Gol.
Trata-se do modelo nacional considerado de terceira geração pela fabricante, lançado no segundo semestre de 1999. O automóvel visto no vídeo traz o redesenho feito para a linha 2003 e todas as demais características do hatch vendido no Brasil, incluindo as calotas de plástico sobre as rodas de ferro.
A história do Gol no Irã começa em fevereiro de 2005, quando a Volkswagen iniciou a montagem do carro naquele país no regime CKD (sigla em inglês para completamente desmontado). O pacote completo de peças era enviado do Brasil.
Os principais componentes eram produzidos nas fábricas da montadora em Taubaté (interior de São Paulo) e São Bernardo do Campo (ABC), mas havia também a participação de grandes fornecedores da montadora.
Na época, a VW afirmou que os testes de adequação para o mercado iraniano foram realizados ao longo do segundo semestre de 2004. O carro foi submetido às variações climáticas do território iraniano, com temperaturas ora abaixo de zero, ora acima de 40º C.
Foi necessário adicionar um radiador extra para compensar o calor, além de substituir plásticos e revestimentos por conjuntos mais adequados ao frio extremo.
Todas as unidades eram equipadas com ar-condicionado, direção hidráulica, airbags frontais e acionamento elétrico dos vidros. Esses itens eram opcionais no mercado brasileiro.
O Gol montado nos arredores da cidade de Bam (a cerca de 1.300 km da capital Teerã) era equipado com o robusto motor 1.8 a gasolina. O plano previa a montagem de 30 mil unidades em 2005, já que o mercado automotivo local registrava crescimento expressivo na época.
Entretanto, os resultados ficaram distantes das metas. Nos primeiros dois anos, a Volkswagen enviou cerca de 5.000 unidades desmontadas do hatch brasileiro para o Irã.
Os números continuaram baixos em meio a pressões políticas externas. O principal motivo era o programa de enriquecimento de urânio, que avançou durante o governo de Mahmoud Ahmadinejad. O ex-presidente está entre os mortos no ataque promovido por EUA e Israel.
Em 2010, a linha de montagem iraniana do Gol foi fechada, mas muitos carros seguem em circulação no país.
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