A Nasa informou na última quinta-feira (8) que decidiu trazer mais cedo os quatro tripulantes da missão Crew-11, depois que um deles teve o que foi descrito apenas como uma “situação médica” no início da semana. O episódio mostra o grau de comprometimento com a segurança da tripulação e ao mesmo tempo a dificuldade de manter esse compromisso conforme as viagens espaciais deixarem de ser até a órbita terrestre baixa e passarem a ir até a Lua –para não falar em Marte.
A agência espacial americana, como é praxe, não divulgou nem o tripulante envolvido, nem a crise médica que o envolveu, para preservar sua privacidade. Por questões de segurança, também não seria possível trazer de volta apenas um ou dois (pois só há um veículo para o retorno à Terra), e por essa razão voltam todos os quatro –a comandante Zena Cardman e o piloto Mike Fincke, ambos americanos, o astronauta japonês Kimiya Yui e o cosmonauta russo Oleg Platonov.
Eles estão no espaço desde 1º de agosto do ano passado, e sua volta, originalmente, estava prevista para 20 de fevereiro, o que implica uma redução no tempo de estadia no espaço, mas nada tão drástico. “Depois de discussões com nosso oficial médico-chefe, dr. J.D. Polk, e líderes de toda a agência, tomamos a decisão de que é o melhor interesse dos nossos astronautas que a Crew-11 volte antes de sua partida planejada”, disse o recém-empossado administrador da Nasa, Jared Isaacman, já encarando sua primeira fria após assumir o cargo.
A tripulação voltará na mesma cápsula Dragon, da SpaceX, que os levou ao espaço, e é a primeira vez que um tripulante precisa retornar mais cedo da Estação Espacial Internacional por uma questão médica. O incidente impediu a realização de uma caminhada espacial de Cardman e Fincke programada para o início da semana passada, e Yui contatou o controle da missão em Houston naquela tarde solicitando uma consulta médica privada.
A estação tem equipamento e suprimentos médicos para ajudar astronautas a lidar com emergências, como aparelhos de ultrassom, desfibriladores e várias drogas. O atendimento equivale mais ao menos ao que uma ambulância bem equipada pode fornecer no trajeto a um hospital. Os astronautas são treinados para isso e vários deles inclusive têm formação médica. Mas há procedimentos que só podem mesmo ser realizados na Terra.
Uma situação dessas na estação espacial, embora complexa, é manejável. Afinal de contas, uma evacuação de emergência (não é o caso dessa, que está sendo conduzida com calma e só deve ser concluída nos próximos dias) poderia ser realizada em minutos ou horas, e a distância que separa o chão da órbita é de uns 400 quilômetros.
Contudo, as coisas se complicariam mais se a tripulação estivesse na Lua, quase mil vezes mais distante –mesmo com uma partida imediata, o retorno não levaria menos de três dias. Isso para não falar em Marte, cujo trajeto otimizado até lá seria aproximadamente 1,5 milhão de vezes maior, e não poderia ser percorrido, usando tecnologia atual, em menos de 6 a 9 meses. Uma travessia interplanetária também impediria qualquer tentativa de retorno rápido no meio do caminho.
O episódio é mais uma lembrança de que a estação espacial é um ótimo campo de provas para desenvolver as tecnologias necessárias para que astronautas consigam viver com mínima dependência da Terra –mas ainda não chegamos lá.
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