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Morre Daphne Selfe, modelo mais velha do mundo, aos 97 – 25/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Daphne Selfe, uma esguia modelo britânica reconhecida pelo Guinness World Records como a modelo profissional em atividade mais velha do mundo após um retorno à carreira aos 70 anos, morreu no sábado, em Londres. Ela tinha 97 anos.

Sua morte, em uma casa de repouso, foi confirmada por sua filha, Rose Wordsworth.

Com sua silhueta esguia de 1,70 m, cabelos grisalhos em cascata e maçãs do rosto marcantes, Selfe manteve, mesmo na velhice, a aparência impressionante que havia lhe garantido trabalhos como modelo na casa dos 20 anos.

Mas, após trabalhar como modelo por alguns anos quando jovem, ela se casou em meados dos anos 1950 e passou a se dedicar principalmente à criação dos filhos. Na década de 1960, quando modelos de estilo “gamine”, como Twiggy e Jean Shrimpton, se tornaram sinônimo da Londres dos Swinging Sixties, ela sentiu que havia saído de moda.

Por um período, apareceu em comerciais de flocos de milho da Kellogg’s e posou para a escultora Barbara Hepworth. Também fez pequenas participações em dezenas de filmes, incluindo produções de James Bond como “007 Contra Octopussy” (1984) e “Na Mira dos Assassinos” (1985). Como brincou ao jornal Daily Express em 2016, porém, ela “não era uma Bond girl”.

No entanto, poucos meses após ficar viúva, em 1997, contou ao Daily Telegraph em 2018, recebeu um telefonema convidando-a para desfilar para a marca britânica Red or Dead durante a Semana de Moda de Londres. “Era algo para fazer”, disse. “Achei que poderia me impedir de ficar deprimida.”

Ela foi recebida com uma ovação de pé. Depois, por recomendação de um stylist, participou de uma reportagem da edição britânica da Vogue sobre envelhecimento, em 1998. O ensaio foi feito pelo renomado fotógrafo Nick Knight, o que levou Selfe a assinar contrato ainda naquele ano com a agência londrina Models 1, que representava Twiggy e Linda Evangelista.

Selfe logo passou a viajar até para lugares como a África do Sul para trabalhos lucrativos que descreveu ao Daily Mail, em 2009, como “um bem-vindo complemento à minha aposentadoria”. Ao longo dos anos, estrelou inúmeros anúncios, campanhas para Dolce & Gabbana e para a rede TK Maxx, além de participar de um videoclipe da música “Queenie Eye” (2013), de Paul McCartney.

Ela também abraçou o universo, majoritariamente jovem, da influência digital. Sua conta no Instagram, com cerca de 70 mil seguidores, prosperou em um momento em que mulheres mais velhas começaram a usar as redes sociais para desafiar ideias tradicionais sobre envelhecimento.

Selfe se tornou o que muitas publicações britânicas, incluindo o Daily Telegraph em 2002, chamaram de “o rosto do ‘granny chic’”. Inevitavelmente, era questionada sobre sua rotina de cuidados com a pele e dieta. Sua resposta: “Nivea, brócolis e uma taça ocasional de champanhe.”

Daphne Frances Selfe nasceu em 1º de julho de 1928, no distrito de Muswell Hill, no norte de Londres. Seu pai, Francis Selfe, era professor de clássicos. Sua mãe, Irene (Garraway) Selfe, era cantora de ópera e também trabalhou para o Banco da Inglaterra. Em seu livro de memórias de 2015, “The Way We Wore: A Life in Clothes”, ela escreveu que, após dar à luz, sua mãe prometeu: “Nunca mais.”

Criada em Berkshire, no sudeste da Inglaterra, aprendeu desde cedo a valorizar roupas. Sua mãe, de estilo discreto —vestidos simples, conjuntos de saia bem cortados e apenas um pouco de pó e blush, mas nunca batom—, fazia todas as suas roupas.

Quando Daphne tinha oito anos, foi enviada para um internato. Como aluna da Queen Anne’s School, no subúrbio de Caversham, em Reading, a oeste de Londres, aprendeu a costurar, ampliando os ensinamentos práticos da mãe. Mais tarde, seu amor por roupas a levou a um emprego como vendedora na Heelas, uma loja de departamentos que hoje faz parte da rede John Lewis.

Aos 21 anos, foi abordada por um olheiro durante um turno na loja, que mencionou um concurso para estampar a capa de uma publicação local, a Reading Review. Ela participou e venceu. Depois, trabalhou como modelo para um atacadista de moda, um comerciante de peles em Londres e, posteriormente, para lojas de departamento como a Debenhams.

Na maturidade, Selfe frequentemente comentava como a profissão de modelo havia mudado ao longo dos anos. Segundo ela, fotógrafos e agentes antes ensinavam às modelos como se comportar no set e como posar, destacando seu melhor ângulo diante da câmera.

“Éramos ensinadas a ter boas maneiras, a abordar as pessoas, a procurar trabalho e a entrar e sair de um carro sem mostrar a calcinha”, disse à British Vogue em 2015.

Ela se casou com Jim Smith, gerente de estúdio de TV, em 1954; ele morreu em 1997. Além da filha Rose, deixa outra filha, Claire Selfe; um filho, Mark; e quatro netos.

Selfe, cujo último trabalho como modelo foi no ano passado, usou o reconhecimento conquistado na velhice para criar uma academia de modelos, um curso de seis semanas que incentivava mulheres de todas as idades que se sentiam invisíveis a agir com mais confiança.

“É uma população que está envelhecendo. Agora há mais modelos mais velhas”, disse ao Daily Express em 2016. “Acho que estabelecemos uma tendência.”

Como afirmou à BBC Three Counties Radio em 2017: “Tive sucesso quando abracei minha idade e fiquei grisalha. Isso me tornou mais marcante.”

Ela acrescentou: “Tive mais sucesso como modelo depois dos 70 do que quando tinha 20.”

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