O maestro Cesar Camargo Mariano notificou extrajudicialmente a Universal Music Brasil devido a uma remixagem do álbum “Elis”, de 1973, do qual foi arranjador, além de ter tocado piano.
A advogada que representa o músico, Deborah Sztajnberg, afirma que o maestro não foi consultado para que a mixagem fosse feita, o que, segundo ela, fere os direitos patrimoniais, tanto do arranjo musical quanto do intérprete.
Para além da questão patrimonial, há um problema com direitos morais. O maestro e Elis passaram meses estudando, testando e concebendo arranjos e instrumentação.
“O maestro não quer ter seu nome associado a essa remasterização, porque destruíram a obra dele, ficou um Frankenstein. A questão é muito simples”, afirma Sztajnberg. A ideia é chegar a um acordo sem que precise judicializar o caso.
A Universal Music Brasil afirma, em nota, que “não recebeu qualquer notificação envolvendo este lançamento”. A equipe de Sztajnberg afirma que a notificação foi enviada pelo correio nesta quarta (8).
O relançamento do álbum “Elis”, de 1973, em versão remixada e remasterizada, provocou uma divergência pública entre os filhos da cantora Elis Regina (1945-1982) e o pianista e arranjador Cesar Camargo Mariano. O ex-marido e pai de dois dos três filhos da artista criticou o projeto em uma longa publicação nas redes sociais —e foi rebatido em seguida.
O maestro se manifestou nas redes sociais, no fim do mês passado, sobre a mixagem. “Na madrugada de hoje ouvi este lançamento. E respondo que ouvi, com tristeza”, escreveu. “Tristeza por ouvir todo o trabalho de meses de criação do conceito musical, dos arranjos e das execuções, dos planos de gravação e mixagem, todos estudados e muito bem pensados por nós, jogados no lixo. Estas questões, para mim, não são passíveis de alterações por terceiros.”
“Este álbum de 1973 foi um dos álbuns mais emblemáticos, pessoal e profissionalmente, tanto para mim quanto para Elis. E como também me perguntam, imagino que Elis, profissional como era, também não estaria feliz com estas alterações e mutilações.”
Liderado por João Marcello Bôscoli, filho mais velho de Elis com o compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, o relançamento estava previsto para março de 2025, quando a cantora completaria 80 anos. Atrasou e ocorreu na última terça-feira, data do aniversário de 81 anos
Não é a primeira divergência entre as partes. Em 2022, os três filhos da cantora manifestaram apoio ao “Arquivo Elis Regina”, criado por fãs no Youtube e Instagram, após o canal receber uma notificação extrajudicial de Camargo para a retirada de vídeos com apresentações musicais.
Na época, ele argumentou que parte do conteúdo do site estaria sendo monetizado e alegou ter ficado sem resposta para emails questionando a autorização de músicos, artistas e outros detentores de direitos autorais.
Na polêmica de agora sobre o relançamento do álbum de 1973, vários artistas se manifestaram. Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Elba Ramalho, Frejat e Fabiana Cozza prestaram solidariedade a Camargo Mariano.