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Webb vê planeta dos dias claros e das noites nubladas – 24/05/2026 – Mensageiro Sideral

by Silas Câmara

Imagine viver num planeta em que, pela manhã, o céu está sempre claro, permanece assim durante todo o dia, e ao anoitecer fica completamente nublado, até o amanhecer, quando clareia novamente. Um mundo assim até existe, mas você não quereria morar nele.

Trata-se de Wasp-94A b, um exoplaneta que entra na categoria dos Jupíteres Quentes –um mundo gigante gasoso, como Júpiter, mas orbitando muito próximo à estrela-mãe, de forma que suas temperaturas se tornam escaldantes, acima dos mil graus Celsius, durante o dia.

Pela primeira vez, astrônomos conseguiram observar as condições atmosféricas no amanhecer e no entardecer de um exoplaneta desse tipo, graças ao poder do Telescópio Espacial James Webb. O astro, localizado a cerca de 700 anos-luz da Terra na constelação do Microscópio, realiza constantes trânsitos à frente de sua estrela-mãe, o que permitiu as observações –ao passar à frente da estrela, luz dela que passa de raspão pela atmosfera do planeta traz consigo uma assinatura que indica sua composição.

Observando separadamente a luz assim afetada por uma das bordas do planeta (a do “amanhecer”) e pela outra (a do “entardecer”), puderam notar uma diferença notável na presença de nuvens de poeira. Repare nas aspas, porque esses não são nada parecidos com os daqui. Planetas muito próximos a suas estrelas costumam estar gravitacionalmente travados, mantendo a mesma face sempre voltada para ela (como a Lua faz com a Terra). Então, em dado ponto da “superfície” (é um gigante gasoso, então não tem propriamente uma superfície), ou é sempre dia, ou é sempre poente, ou é sempre noite, ou é sempre nascente. O que viaja do dia para a noite, do lado claro para o lado escuro, é a atmosfera.

E como viaja. Os pesquisadores notaram transformações contundentes entre os dois horizontes atmosféricos. A atmosfera que está entrando na manhã vem mais fria e parece encoberta por nuvens ricas em minerais que obscurecem assinaturas gasosas. Já a que sai do dia e vai para a noite vem quente, fervendo, e parece ser de céu claro, com forte assinatura de absorção por vapor d’água.

A diferença está enraizada na mudança de temperatura, que pode variar em 450 graus Celsius entre os lados noturno e diurno. É tudo muito diferente daqui, noites e dias eternos, calor intenso e um planeta gigante gasoso. Mas deve ser um fenômeno comum em outros mundos iguais, e há muitos Jupíteres Quentes por aí.

A descoberta, liderada por Sagnick Mukherjee e David Sing, pesquisadores da Universidade Johns Hopkins, e publicada na última edição do periódico científico americano Science, é um alerta para os astrônomos: tratar a atmosfera desses exoplanetas exóticos como algo mais ou menos homogêneo pode levar a grandes erros na caracterização desses mundos. Não é fácil tentar entender a natureza de planetas inteiros observando apenas curvas de luz ou assinaturas espectrais, mas esse é o trabalho que os cientistas agora começam a fazer, estudando planetas muito diferentes dos existentes no Sistema Solar. Os mundos maiores e mais próximos de suas estrelas são os que no momento oferecem as melhores condições de estudo, o que explica o sucesso inédito com as observações de Wasp-94A b.

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