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Artemis 3 em 2027 vai subindo no telhado – 03/05/2026 – Mensageiro Sideral

by Silas Câmara

Sabemos que o calendário da Nasa para as próximas missões do programa Artemis é desafiador. E, ao que parece, o primeiro deles já começa a subir no telhado. Segundo Jared Isaacman, administrador da agência espacial americana, os dois fornecedores de módulos lunares, SpaceX e Blue Origin, só estarão prontos para a missão Artemis 3 no fim de 2027.

É um pouco mais tarde do que a Nasa projetava (meados do ano) e perigosamente perto de se converter em começo de 2028, evocando a famosa “lei de Berger”, em homenagem ao jornalista espacial Eric Berger, que postulou: “se um foguete tem estreia prevista para o quarto semestre de um ano, e esse semestre está a seis ou mais meses no futuro, o lançamento será adiado”. Claro, não é uma lei de fato, mas fruto de observação atenta de como as coisas costumam acontecer.

A nova previsão foi apresentada por Isaacman em audiência no Congresso americano, em que teve a inglória tarefa de defender a proposta orçamentária do presidente Donald Trump para a Nasa em 2027. É desejo do governo cortar em mais de 20% a verba da agência, mas os congressistas já sinalizaram que não devem autorizar a degola e provavelmente manterão o padrão de financiamento adotado no ano anterior (em que também tiveram de salvar a Nasa da motosserra de Trump).

No caso específico da Artemis 3, o problema é menos de dinheiro que de tempo. A arquitetura da missão, recém-concebida como uma etapa intermediária entre o primeiro pouso lunar com astronautas do programa, nem sequer está definida, e não há tripulação escalada. A ideia é que ela permita um encontro e acoplagem entre uma cápsula Orion e um ou dois módulos de pouso (o Blue Moon da Blue Origin ou o Starship da SpaceX) em órbita terrestre, para testes dos sistemas.

Não há clareza de quão “prontos” esses módulos precisam estar e nem mesmo em que órbita se dará o encontro –caso seja baixa, é possível “economizar” o último segundo estágio pronto do SLS para a missão Artemis 4, marcada para 2028; se for mais alta, para simular melhor as condições de manobrabilidade nas proximidades da Lua, será preciso “gastar” o segundo estágio, o que pode atrasar mais a missão seguinte.

E nisso estamos presumindo que ao menos uma das empresas envolvidas não sofrerá com atrasos e imprevistos –uma aposta arriscada, haja vista o que acabou de acontecer com o foguete New Glenn, que será o responsável por levar o Blue Moon à órbita– uma falha no segundo estágio levou à perda de um satélite ao inseri-lo na órbita errada.

O Starship, por sua vez, está para estrear seu terceiro modelo, com todas as incertezas que as novidades trazem. O voo de teste vem sendo adiado por meses e ainda não temos um horizonte claro de quando ganhará os céus.

Acreditar que a Artemis 3, tal qual apresentada neste momento, possa voar em 2027 vai ficando cada vez mais cor de rosa. E os vermelhos vêm aí. A China quer realizar seu pouso em 2029. A corrida neste momento é pela primeira alunissagem tripulada do século 21. Depois que alguém vencer essa etapa, a pressão por prazos, de ambos os lados, vai diminuir ou aumentar?

Só descobriremos quando chegarmos lá.

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