O Museu da Imagem e do Som de Copacabana inaugurou, nesta quinta-feira (9), sua primeira exposição temporária. Isso marcou o início da abertura gradual do equipamento cultural depois de 16 anos de obras, paralisações, trocas de empreiteiras e instabilidade política no governo do Rio de Janeiro.
A mostra “Arquitetura em Cena: O MIS Copa Antes da Imagem e do Som” apresenta o percurso arquitetônico e conceitual que precedeu a consolidação do museu, tendo o edifício como objeto central, antes de qualquer conteúdo audiovisual ser instalado.
A cerimônia de inauguração teve as presenças do governador em exercício Ricardo Couto e da secretária de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros.
Neste primeiro momento, o museu funcionará apenas com visitação restrita e agendada, voltada a estudantes de escolas públicas, alunos de arquitetura, história e museologia, além de representantes de associações de moradores e do setor hoteleiro.
O público geral terá acesso a partir de 8 de maio. Em todos esses casos, as visitas acontecem com agendamento online, por meio da plataforma Sympla.
A abertura do novo MIS do Rio de Janeiro vem após uma série de adiamentos. A inauguração oficial, que estava prevista para 19 de março, foi remarcada para o dia 26 do mesmo mês e acabou adiada de novo. O museu teria as portas abertas ao público no dia 28 e uma corrida de rua no dia seguinte.
Dos eventos anteriormente programados, somente a corrida foi mantida. Batizada de “MIS a MIS”, o circuito teve largada na Praça 15, onde fica uma das sedes da Fundação Mis, e terminou em Copacabana, no novo prédio.
Esses episódios coincidiram com a crise provocada pela decisão do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, que tornou o ex-governador Cláudio Castro (PL) inelegível. Procurado à época, o governo estadual não se manifestou publicamente sobre os motivos do adiamento.
Reportagem da Folha mostrou que o novo MIS seria inaugurado mesmo com obras ainda em andamento. Um relatório feito após vistoria no dia 4 de março, ao qual a reportagem teve acesso, indicava que ainda havia falhas nas saídas de exaustores da cobertura do prédio e problemas na ventilação da cozinha e na luminária.
A Light, concessionária de energia, não havia feito todos os testes no edifício. Os elevadores ainda estavam em ajuste e, segundo a equipe que visitou o prédio, o equipamento estava parando com frequência. O vidro da fachada do lobby ainda estava quebrado.
A construção do novo MIS começou em 2009 no terreno da antiga boate Help, na avenida Atlântica, à época no governo Sérgio Cabral. As obras foram iniciadas em 2009, e a previsão inicial de entrega em 2012 não foi cumprida. Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro se sucederam no governo do Rio sem concluir a obra, sendo que todos acabaram presos ou afastados do cargo.
A construção ficou paralisada em 2016 e só retomada em 2021. Àquela altura, parte da estrutura já estava deteriorada, com peças tomadas por ferrugem. Em abril do ano passado, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado, o TCE, havia observado “erros grosseiros” na retomada das obras.
No mês passado, novo relatório de auditoria do TCE acolheu a defesa da Secretaria de Infraestrutura e Obras de que os problemas encontrados não eram suficientes para serem classificados como dolosos ou resultado de erros grosseiros.
O prédio do MIS em Copacabana tem oito andares e dois subsolos. O térreo terá um lobby de exposições, uma loja e uma cafeteria —o governo negocia ceder ao Senac.
Os quatro andares acima terão instalações sobre a música popular brasileira, o humor carioca e o Carnaval, além de projeção de imagens antigas do Rio e uma área dedicada à memória de Carmen Miranda. Um dos andares terá restaurante com vista para a praia e o terraço terá um cinema. Os subsolos deverão ser ocupados por uma boate e um teatro.