“Foi como um show”, disse Carina Floeth, 38, que estava entre os 4.000 fãs entusiasmados que assistiram na noite desta sexta-feira (10) à estreia mundial do filme sobre Michael Jackson, apesar das denúncias de abuso sexual infantil que envolvem a história do cantor.
Ao lado de uma amiga, que conseguiu dois ingressos de última hora em um sorteio realizado por uma rádio alemã, Carina aplaudiu, gritou e dançou em sua cadeira durante as duas horas de filme.
“A história de sua emancipação do pai foi muito triste”, comentou a fã, que trabalha em uma empresa de seguros médicos. “Foi uma pequena parte da vida de Michael, porque o filme termina em 1988, com a turnê de ‘Bad’ em Londres, e passa voando”, comentou a educadora francesa Mégane, 31.
Os primeiros problemas do cantor com a Justiça começaram em 1993. Segundo a revista especializada Variety, o filme deveria explorar originalmente o impacto dessas acusações na vida do rei do pop, interpretado por seu sobrinho Jafar Jackson.
Citando uma pessoa próxima da produção, a revista contou que um terço do filme, dedicado às questões legais, foi cortado, porque os advogados do espólio de Jackson identificaram uma cláusula no acordo com o primeiro adolescente que denunciou o cantor em 1993, Jordan Chandler, que proíbe qualquer representação ou menção ao autor da denúncia em um filme.
Para os fãs, isso não importa. “Ele foi declarado inocente”, disse Mégane. Vestido como o cantor, o mecânico de aeronaves Andy Escobar, 31, que viajou de Houston para a estreia, compartilha a mesma opinião: “Sabemos que não é verdade”, afirmou, sobre as denúncias contra Michael.
Os fãs poderão celebrar o ídolo durante todo o fim de semana em Berlim, quase duas semanas antes do lançamento do filme nos cinemas. Para amanhã, estão programados dois bate-papos com a equipe do filme, uma exposição dedicada ao cantor e a festa “Get on the Dance Floor: the Michael Jackson Party”.
O artista morreu em 25 de junho de 2009, aos 50 anos, após uma intoxicação por propofol. Segundo a Variety, o estúdio Lionsgate espera arrecadar US$ 700 milhões (R$ 3,5 bilhões) com o filme, o que o colocaria bem acima de outros filmes do gênero, com exceção de “Bohemian Rhapsody”, que arrecadou US$ 910 milhões (R$ 4,6 bilhões).
Os fãs esperam que a história tenha sequência. “O fim do filme dá a entender que haverá uma segunda parte”, diz Mégane.