Eu via o “Star Trek“. Na ponte de comando da Enterprise, o capitão Kirk dava indicações aos seus subordinados, sempre sob o olhar sensato de Spock, e, todas as semanas, a nave visitava novos planetas.
Agora vi as imagens do interior da Artemis 2. Digamos que é um pouco diferente da Enterprise. Parece o porta-malas de um furgão. Um cômodo exíguo, no qual vivem todos os astronautas.
Às vezes, passa um edredom a boiar. E a missão da nave era visitar a parte de trás da Lua. Ao que parece, a parte de trás da Lua é extremamente parecida com a parte da frente. Também é cinzenta com crateras.
De fato, os corpos celestes têm essa característica. Não costumam ter um hemisfério com crateras cinzentas e outro com montanhas roxas. Mas suponho que seja sempre bom confirmar.
A questão é que a ficção científica nos estragou o futuro. Os astronautas da Artemis 2 foram mais longe no espaço do que qualquer outro ser humano. É uma missão histórica, e é isto.
Não foram a outras galáxias, nem sequer a outro planeta. A nave em que viajaram não tem dignidade para ser a despensa da Enterprise.
Não foram à conquista do cosmos, aquilo é camping espacial. As nossas viagens espaciais estão ainda muito longe de justificar uma série.
“Hoje temos uma missão importante, dr. Spock. Vamos à parte de trás da Lua.”
“Há lá klingons, capitão?”
“Não, é só porque estamos há muitos anos a olhar para a parte da frente da Lua. Tenho curiosidade de saber como será a parte de trás.”
“Deve ser igual à parte da frente, capitão.”
“É provável, sim.”
Ninguém teria interesse neste episódio de “Star Trek”, e com razão.
Desilusão maior, só quando eu soube que, em 1969, Buzz Aldrin tinha urinado na Lua, mas para dentro do seu traje. A urina não chegou a tocar a superfície lunar —projeto que, só por si, teria valido a viagem.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.