Eles se entregam ao gozo, urram e gemem no contato íntimo —com frutas, melancias, abacaxis, entre outras coisas do pomar. Os homens retratados por Daniel Lannes em sua nova série “Safe Sex”, ou sexo seguro, se exibem para o espectador, orgulhosos de sua proeza física no coito com os frutos do jardim.
Em várias das telas, é o próprio artista em cena, seu rosto em êxtase. Noutras cenas, no pós-sexo, o corpo relaxa, largado e pelado, numa sensação de arrebatamento. É um espetáculo de cores, uma verdadeira orgia, no caso, em que Lannes reflete sobre uma hierarquia histórica nas artes visuais, primeiro as cenas de batalha, épicas, ou religiosas e mitológicas, depois o retrato, que está acima da natureza-morta.
O novo trabalho embaralha tudo isso, dando ares heroicos e divinos ao absurdo do sexo com plantas, que aqui ganham corpo também como exercício de natureza-morta. O retrato atinge ainda seu auge. Lannes, um dos maiores pintores do país, retoma aqui uma de suas primeiras séries, quando despontou por sua técnica que mistura a nitidez extrema ao gestual agressivo, que cria verdadeiros turbilhões de cor sobre a tela, sempre com pesada energia erótica.
Os trabalhos estarão em abril na edição deste ano da feira SP-Arte, no pavilhão da Bienal de São Paulo, no parque Ibirapuera, levados pela galeria Orma, de Milão, que representa o artista.
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