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Bienal de Curitiba reflete sobre IA em retorno em junho – 08/02/2026 – Plástico

by Silas Câmara

Uma das mostras que por anos fez parte do calendário das artes visuais do país, a Bienal de Curitiba voltará a acontecer neste ano, a partir de junho. Depois de cinco anos de hiato —uma edição online foi realizada em 2021—, a exposição desta vez tem um tema correlato a uma existência noutro plano, o reflexo da inteligência artificial sobre tudo e todos neste pós-pandemia atravessado por guerras pelo mundo.

“Limiares”, com organização da argentina Adriana Almada e da brasileira Tereza de Arruda, deve reunir numa série de endereços da capital paranaense, entre eles o Museu Oscar Niemeyer, famoso pela estrutura em forma de olho arregalado sobre a cidade, artistas que debatem os limites da resistência humana ante o avanço das máquinas. É o que as curadoras identificam como fronteiras cada vez mais fluidas entre natural e artificial, biológico e sintético.

Não é o tema mais original, mas é ao mesmo tempo o assunto inesgotável do momento. Mostras recentes como a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, e o último Panorama da Arte Brasileira do Museu de Arte Moderna de São Paulo, também refletiram sobre esse limite cada vez mais poroso, ou erodido, entre uma coisa e outra, o roçar de uma natureza cada vez mais frágil contra as engrenagens avassaladoras de novos sistemas de dados e tecnologias a serviço de uma inteligência independente dos humanos.

Na visão de Almada e Arruda, este é o momento da história em que a arte, muito mais do que representar o mundo, é um elemento de organização da visualidade, em especial por seu poder de manipular algoritmos, sendo, por outro lado, vítima desses mesmos algoritmos, que escondem ou dão a ver determinadas interpretações de mundo de acordo com os dados de cada espectador.

Nesse sentido, surge outro eixo da mostra, que é tentar estabelecer a arte como escudo de resistência contra o avanço selvagem dos algoritmos, a ideia de um campo artístico refratário aos interesses políticos e econômicos do big tech —no fundo, a ideia de que nenhuma tecnologia é neutra. Soa um tanto ingênuo, mas arte não deixa de ser um ato de fé nos tempos de jogos vorazes que vivemos.


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