A Axia (ex-Eletrobras) registrou lucro líquido de R$ 6,5 bilhões, queda de 37% em relação ao ano anterior. A empresa anunciou ainda que realizou no ano o maior volume de investimentos desde 2015.
A ex-estatal não comentou no balanço divulgado nesta quinta-feira (26) as razões para a queda no lucro. No terceiro trimestre, havia registrado prejuízo de R$ 5,4 bilhões provocado pela contabilização de perdas com a venda da participação na Eletronuclear, que está sendo negociada com a J&F.
No quarto trimestre, a Axia teve lucro de R$ 13,7 bilhões, mais de doze vezes o registrado no mesmo período do ano anterior, pelo reconhecimento de mudanças em estimativas de lucros tributáveis no futuro. A companhia não explicou quais mudanças.
Sem considerar eventos não recorrentes, o lucro do quarto trimestre foi de R$ 1,2 bilhão, alta de 141% em relação aos três últimos meses de 2024.
Em nota, o presidente da Axia, Ivan Monteiro, afirmou que o ano foi “um marco na história da companhia”. A mudança de marca, anunciada em outubro, afastou a empresa do passado estatal três anos após a aprovação de sua privatização pelo governo Jair Bolsonaro (PL).
“A Axia Energia nasce a partir do legado da Eletrobras, mas com uma nova visão integralmente voltada aos clientes, à disciplina financeira e à criação sustentável de valor”, disse Monteiro. “A retomada dos investimentos, aliada a uma gestão rigorosa de capital e a um portfólio 100% renovável, confirma essa nova trajetória.”
A empresa destacou em nota que investiu, em 2025, o maior valor desde 2015. Foram R$ 9,6 bilhões, alta de 18% em relação a 2024. Do total, R$ 6,1 bilhões foram direcionados ao segmento de transmissão de eletricidade.
O volume representa alta de 64% em relação ao ano anterior e teve foco em aportes para reforçar e melhorar a rede da ex-estatal. A maior parte desse valor foi destinado a reforços e melhorias das redes.
A receita da companhia em 2025 foi de R$ 48,4 bilhões, alta de 1,4% em relação ao ano anterior. Já o Ebitda, indicador que mede a geração de caixa, caiu 67,5%, para R$ 8,5 bilhões.
Em fevereiro, a Axia convocou assembleia de acionistas para votar sobre proposta da companhia de migrar para o Novo Mercado, segmento da B3 que reúne as empresas com mais elevada governança corporativa.
A empresa diz que a mudança traz vantagens como a maior flexibilidade para distribuição de dividendos, maior atratividade de investimentos e redução da percepção geral de riscos, além de possível redução do custo de capital.
O governo brasileiro ainda é um importante acionista da Axia, mesmo após a privatização. O chamado “grupo governo”, que inclui União, BNDES e outros bancos públicos, detém cerca de 45,3% das ações ordinárias da elétrica, 13,66% das preferenciais B e 40% das preferenciais C.
Apesar disso, também está sujeito ao limite de 10% de direito de voto, imposto para qualquer acionista.