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Diversidade salva ‘Mario Tennis Fever’ de campanha fraca – 26/02/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Em “Mario Tennis Fever”, o tênis é só um pretexto para a diversão. Personagens conhecidos, raquetes com poderes especiais e efeitos fantásticos tornam a bolinha amarela um detalhe —ainda que decisivo— no game exclusivo para Nintendo Switch 2 lançado no último dia 12.

Como costuma acontecer nos jogos esportivos protagonizados pela turma do Mario, em “Fever” o realismo e a fidelidade ao esporte são jogados para longe em troca de uma experiência palatável até para quem nunca segurou uma raquete na vida. Uma troca que faz sentido em um título com pretensões modestas, mas que busca atingir uma ampla gama de jogadores.

As “raquetes eufóricas” funcionam como o verdadeiro motor da experiência. São 30 modelos diferentes, cada um com um poder especial. Algumas são ótimas para o ataque, por exemplo, dificultando a devolução da bola ou atrapalhando o adversário. Outras se destacam defensivamente, aumentando a velocidade do personagem ou criando uma “sombra” controlada pelo computador para ser sua parceira de quadra.

Nem todos os poderes especiais, porém, são igualmente equilibrados. Alguns se destacam e são capazes de decidir jogos quase sozinhos. O jogo compensa essa assimetria com uma regra simples, mas eficaz: se o adversário conseguir rebater a bola antes que ela toque o chão, o poder se volta contra quem o ativou, criando uma nova camada de imprevisibilidade para as partidas.

Além das raquetes, há 38 personagens jogáveis. Cada um deles também com poderes únicos, como um golpe mais forte ou bônus de movimentação, e atributos próprios.

Juntando os dois, são mais de mil combinações para encontrar aquela que melhor se encaixa ao seu estilo e ao desafio que o jogo apresenta.

Quando todas essas mecânicas atuam nas partidas em duplas, o jogo assume um caráter caótico. Com até quatro poderes distintos influenciando a partida, a quadra vira um espaço de improviso constante.

Os controles seguem o padrão já estabelecido pela série. Um botão é dedicado ao topspin, outro ao slice, um terceiro para bolas fortes chapadas e um quarto para as rebatidas especiais associadas ao poder das raquetes. A familiaridade facilita o acesso, especialmente para quem já acompanhou jogos anteriores. Ainda assim, há uma diferença sensível na resposta aos comandos. Os controles parecem menos precisos, dificultando executar golpes definitivos.

Essa opção de design favorece o jogo defensivo e dá a “Fever” um aspecto “arcade”. Por um lado, os rallies se tornam mais longos e visualmente empolgantes. Por outro, o peso da habilidade técnica é reduzido, o que pode frustrar jogadores que buscam um jogo mais competitivo.

Em termos de modos de jogo, o pacote é generoso. Além dos tradicionais torneio, aventura e jogo livre, o game apresenta um modo realista (utilizando os controles de movimento), o modo gincana (com partidas disputadas em quadras especiais e regras únicas) e o modo missões, que se destaca como uma das melhores novidades.

Nele, o jogador precisa superar uma sequência de provas sob condições específicas, como vencer uma partida usando uma determinada raquete ou com uma combinação inusitada de poderes, ou superar um desafio de devolução de bolas.

Essas missões são organizadas em três torres de desafios, cada uma mais exigente que a anterior. Após completá-las, surgem desafios adicionais, que exigem que o jogador complete as missões, por exemplo, sem perder pontos ou sem recorrer a poderes especiais. É aqui que o jogo testa, de fato, a capacidade de adaptação e o conhecimento dos pontos fortes e fracos de cada combinação raquete/personagem.

A decepção fica por conta do modo aventura, que funciona no máximo como um grande tutorial. Curto, repetitivo e pouco inspirado, ele conta com uma história sem graça, com diálogos previsíveis e desafios cansativos.

“Mario Tennis Fever” deixa claro seu foco. Trata-se de um jogo que prioriza a diversão acima da competição, apostando no exagero e na imprevisibilidade. Apesar de tropeçar em um modo aventura decepcionante, o título acerta ao oferecer partidas caóticas e acessíveis, pensadas para serem compartilhadas com os amigos e a família.

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