A Caoa Chery tem um diferencial competitivo importante no mercado brasileiro: a junção do menor custo dos carros chineses com os benefícios tributários do Regime Automotivo do Nordeste, que abrange também a região Centro-Oeste. O resultado aparece nos R$ 119.990 cobrados pelo Tiggo 5X modelo 2027.
Montado em Anápolis (GO), o SUV agora custa o mesmo que as versões mais simples dos concorrentes Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta, Chevrolet Tracker, eJeep Renegade. Entretanto, oferece mais equipamentos de série.
O Tiggo 5X Sport vem com central multimídia, ajustes elétricos do banco do motorista, forrações que imitam couro e ar-condicionado com duas zonas de temperatura. Os seis airbags e as rodas de liga leve aro 17 também são itens de série, bem como os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.
Por R$ 134.990, a versão Pro adiciona teto solar panorâmico, rodas aro 18 e pacote de segurança com frenagem autônoma e sensores que leem as faixas no asfalto e evitam mudanças involuntárias de pista.
Embora tenha porte maior que o de concorrentes diretos (4,34 m de comprimento ante os 4,20 m do T-Cross, por exemplo), o Tiggo 5X não oferece muito espaço para as pernas dos ocupantes no banco traseiro. O porta-malas é um dos menores entre os SUVs compactos, com 340 litros de capacidade.
As principais mudanças visuais estão na parte frontal, com faróis mais estreitos e novas luzes diurnas instaladas na vertical. Para-choque e grade também mudaram na linha 2027, bem como as lanternas traseiras, que agora são interligadas por uma barra acrílica luminosa.
Por dentro, há novas telas para o quadro de instrumentos e a central multimídia, que permite conexão sem fio com smartphones nos sistemas Android Auto e Apple Carplay. Os monitores foram colocados lado a lado para formar um único bloco. Há também novas saídas para o ar-condicionado.
O motor 1.5 turbo flex oferece 150 cv de potência e 22,8 kgfm de torque, sendo associado a um câmbio automático do tipo CVT (continuamente variável).
Em teste feito pelo Instituto Mauá de Tecnologia com o Tiggo 5X 2023, que já trazia a motorização atual, a aceleração de zero a 100 km/h com etanol foi cumprida em 10,6 segundos. Para comparar, o Hyundai Creta 1.0 turbo flex (120 cv) completou a mesma prova em 12,1 segundos.
A avaliação da versão anterior mostrou também um consumo elevado, com média de 14,3 km/l com gasolina na estrada. Na mesma condição, o Creta chegou a 19,2 km/l.
Entretanto, a versão de R$ 119.990 do Creta 2027 —que é voltada para o público que tem direito a isenções legais, como pessoas com deficiência— não traz itens como ajuste elétrico do banco do motorista, central multimídia e sensores de estacionamento.
A estratégia é antiga no grupo Caoa, que cresceu no mercado nacional ao oferecer produtos com preços mais em conta e bem equipados antes mesmo de os carros chineses ganharem boa reputação no mercado brasileiro.
Foi assim com o Hyundai Azera. No segundo semestre de 2009, o sedã de porte grande e motor V6 (245 cv) teve seu preço reduzido de R$ 93,4 mil para R$ 75,9 mil.
Havia excesso de oferta do modelo sul-coreano em um momento de crise financeira global, com o Brasil em situação melhor em relação a outros mercados. Na época, o médio Honda Civic 1.8 EXS (140 cv) custava aproximadamente R$ 80 mil.
A parceria com a Hyundai não é mais como antes, e o processo de transição passa pelo fortalecimento dos laços com a China. Além da Chery, a empresa será a representante da Changan no Brasil, com montagem de carros eletrificados em Anápolis