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Colisão mudou trajetória de asteroides ao redor do Sol – 10/03/2026 – Ciência

by Silas Câmara

Em 2022, a Nasa lançou uma espaçonave contra o pequeno asteroide Dimorfo. O objetivo dessa colisão interplanetária era provar que, se uma rocha espacial ameaçasse a Terra no futuro, os humanos poderiam desviá-la e salvar nosso mundo.

A missão, batizada de Dart, funcionou: a colisão reduziu a órbita de Dimorfo ao redor de um asteroide maior, Dídimo, em 32 minutos. Também gerou uma enorme nuvem de poeira e detritos, registrada por telescópios ao redor do mundo e no espaço.

Um novo estudo mostra que a Dart alcançou mais do que isso. Cientistas descobriram que o impacto da espaçonave também alterou a trajetória dos dois asteroides ao redor do Sol.

“Se algum dia encontrarmos um asteroide em rota de colisão com a Terra, o que precisamos fazer é alterar seu movimento ao redor do Sol”, disse Rahil Makadia, que concluiu recentemente seu doutorado na Universidade de Illinois Urbana-Champaign (Estados Unidos) e liderou o estudo, publicado na revista Science Advances na última sexta-feira (6).

A análise de Makadia e seus colegas confirmou ser possível desviar a trajetória de um asteroide ao redor do Sol. “Conseguimos medir isso pela primeira vez na história”, afirmou.

A mudança foi mínima: meros 150 milissegundos ao redor do Sol. Mas, segundo Makadia, alterações tão pequenas podem ser suficientes para ajudar a humanidade a evitar uma catástrofe no futuro.

A Nasa lançou a Dart em 2021, colocando a espaçonave em rota de colisão com Dimorfo, que orbita Dídimo. Dez meses depois, a espaçonave colidiu com Dimorfo a 22.500 km/h.

Para medir as mudanças na órbita dos dois asteroides ao redor do Sol, Makadia contou com a ajuda de dezenas de astrônomos amadores ao redor do mundo. Eles mediram com precisão quando os dois asteroides passaram na frente de estrelas. As posições conhecidas das estrelas ajudaram a equipe a determinar onde Dimorfo e Dídimo estavam no espaço.

Eles também usaram medições dos asteroides antes do encontro com a Dart, coletadas com os observatórios de Goldstone, na Califórnia, e o de Arecibo, em Porto Rico. Astrônomos de Goldstone coletaram dados adicionais sobre os dois asteroides após o impacto da Dart.

A reunião desses dados permitiu que os pesquisadores construíssem uma imagem da órbita dos asteroides ao redor do Sol. Antes da colisão, os asteroides circulavam o Sol a mais de 122.000 km/h. A Dart aumentou essa velocidade em cerca de cinco centímetros por hora.

Os pesquisadores também descobriram que a mudança na órbita solar não sofreu apenas os efeitos do impacto inicial da Dart. A nuvem de detritos levantada pela espaçonave se espalhou pelo espaço, dobrando a quantidade de deflexão em comparação com a colisão inicial sozinha.

Ainda neste ano, a espaçonave Hera, lançada pela ESA (Agência Espacial Europeia) em 2024, chegará a Dídimo e Dimorfo para refinar essas medições. Os dados ajudarão os cientistas a analisar as consequências da Dart, incluindo como a forma de Dimorfo mudou, quanto detrito foi levantado e se os fragmentos ejetados se reassentaram em um dos asteroides ou os deixaram completamente.

Caracterizar exatamente como a Dart interagiu com os dois asteroides vai orientar futuros esforços para proteger a Terra de rochas perigosas que atravessam o espaço. “Às vezes, dizemos que, quanto mais aprendemos sobre asteroides, menos sabemos sobre eles”, disse Steve Chesley, pesquisador do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e coautor do estudo.

“Cada um é um pouco diferente”, acrescentou ele, mas ter um ponto de referência “é muito melhor do que não ter nenhum”.

A Nasa e a ESA continuam coletando pontos de referência sobre outros asteroides potencialmente ameaçadores.

No início de 2025, astrônomos afirmaram que o asteroide 2024 YR4 apresentava um pequeno risco de atingir a Terra em 2032 com força suficiente para destruir uma cidade. Pouco depois, eles descartaram qualquer perigo do objeto para o planeta, mas disseram que ainda havia uma pequena chance de colisão com a Lua.

Na quinta-feira (5), a Nasa e a ESA anunciaram que novas observações feitas com o telescópio James Webb mostraram que a Lua também está a salvo do 2024 YR4. Estima-se que ele passará a cerca de 21.200 km acima da superfície lunar.

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