Home » Sou inquieto, diz Arnaldo Antunes, que prepara novo show – 09/03/2026 – Ilustrada

Sou inquieto, diz Arnaldo Antunes, que prepara novo show – 09/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Quando Arnaldo Antunes lançou no ano passado o álbum “Novo Mundo”, muito se falou sobre este ser um trabalho que o reaproximava do rock e que tinha espírito de “disco de banda”. Ele montou um grupo de bambas para acompanhá-lo, depois de três anos dedicados à turnê do álbum “Lágrimas no Mar”, gravado apenas com sua voz e o piano de Vitor Araújo.

O caráter gregário do disco também era demonstrado pela participação de quatro convidados especiais: a parceira de longa data Marisa Monte (na faixa “Sou Só”), o americano David Byrne, ex-líder do Talking Heads (“Body Corpo” e “Não Dá pra Ficar Parado Aí na Porta”), e dois nomes da novíssima geração brasileira, a cantora Ana Frango Elétrico (“Pra Não Falar Mal”) e o rapper Vandal (“Novo Mundo”).

Agora, Arnaldo anuncia um show especial no dia 22 de maio, no Espaço Unimed, em São Paulo, reunindo os convidados do disco, com exceção de Byrne, comprometido com datas da turnê mundial de seu disco mais recente. “É o momento ideal para fazer uma gravação do show, coisa que a gente queria desde o começo”, diz o cantor.

Para ele, que considera a apresentação uma “celebração”, depois de meses de estrada o show está azeitado, com uma performance mais segura. “Acho que o show representa uma renovação na sonoridade do meu trabalho. Essa banda trouxe um frescor. Depois da pandemia, veio o show do ‘Lágrimas no Mar’, que era muito sereno, então agora é a volta da atitude do show com banda, mais pesado.”

A ideia é que cada colaborador cante a faixa do disco da qual participa e pelo menos mais uma música. No caso de Marisa Monte, há todo o repertório dos Tribalistas como possibilidades, além de inúmeras parcerias que os dois já fizeram em seus discos individuais.

Quanto a Ana Frango Elétrico, eles já se apresentaram duas vezes juntos no programa de TV “Altas Horas”. “Eu já gostava do primeiro disco, e quando saiu o segundo fiquei louco, ela é muito talentosa. É um canto charmoso, tem uma originalidade no som.”

Arnaldo conta que o convite partiu de uma necessidade. “Tinha essa canção, ‘Para Não Falar Mal’, na qual o final de um verso atropela o início do verso seguinte. Teria que fazer um dueto, e pensei numa voz feminina.”

Ele diz que se tornou fã do rapper baiano Vandal acreditando numa conexão musical. “Acho que tem ali uma potência no canto que me lembra um pouco a maneira como eu cantava no começo dos Titãs, gritando, como se estivesse cuspindo as palavras. E o texto dele é muito bom. Enriqueceu a canção.”

A tendência é que quem for ao Espaço Unimed tenha contato com todo o repertório de “Novo Mundo”. “Quando eu lanço um álbum, eu faço questão de cantar todas as canções no novo show”. Arnaldo se diz muito apegado ao formato de álbum, numa época em que muitos artistas preferem lançar músicas soltas nas plataformas digitais.

“No começo da música digital em streaming, fiquei otimista. Era a liberdade para o artista gravar um álbum ou então um EP, com menos faixas, até mesmo soltar só uma, um single. Mas esse entusiasmo foi de certa forma arrefecendo, foi se perdendo diante de uma surpresa um tanto negativa de como não está sendo bom essa superficialidade.”

Ele diz que o fato de as pessoas não terem tanto tempo para ouvir músicas, ou alguns preferirem ouvir “pedacinhos no TikTok”, é mais um motivo para que ele continue gravando álbuns. “Cada vez mais a gente precisa desse outro tempo, de aprofundamento, de concentração. Isso está se tornando uma necessidade na vida de todos, quebrar essa velocidade das redes sociais, da informação, com momentos de contemplação, de coisas mais profundas.”

Para o show de maio, ele escolherá canções antigas que dialoguem de alguma forma com a sonoridade de “Novo Mundo”, mas sem a obrigação de incluir todos os seus hits. “Tento não repetir os mesmos sucessos a cada turnê. Mas músicas como ‘Socorro’, ‘A Casa É Sua’, ‘O Pulso’, estavam no show anterior e estão nesse também. Ao mesmo tempo, entraram músicas que eu não cantava faz tempo, que achei que combinavam, como ‘Se Assim Quiser’, ‘Sem Você’, ‘Debaixo d’Água’.”

Uma das canções de seu repertório é “Envelhecer”, de 2009, com uma letra positiva e lúdica em relação à maturidade. “Acho que a gente vai ficando velho e essa reflexão se torna mais presente. Tem as limitações físicas, a proximidade da ideia da morte, a gente convive com ela. Acho que isso tem dificuldades, mas tem também riquezas.”

Aos 65 anos, Arnaldo acredita que sua vitalidade vem do trabalho intenso. “Continuo tão inquieto quanto antes. É algo que eu sinto que vai durar até eu não poder mais, se ficar muito doente. Eu preciso estar criando, preciso fazer show, isso me nutre de vitalidade para enfrentar a velhice. A manutenção dessa inquietude faz parte da minha natureza.”

Autor Original

You may also like

Leave a Comment