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Psicóloga foi budista e defendeu a paz – 10/03/2026 – Cotidiano

by Silas Câmara

Ely Stela Inoue transmitia paz e amor por onde passava. Seus filhos lembram da cachoeira da qual fazia eles se despedirem quando pequenos, sempre que passavam pela praia de Toque-Toque, em São Sebastião. Ela costumava levar os quatro para dois meses de férias no litoral norte de São Paulo em uma Parati branca.

Sempre forte e independente, gostava de dançar e viajar. Uma de suas grandes viagens foi ao Tibete, ao lado do líder budista Lama Gangchen Rinpoche. Descendente de japoneses, Ely estudava a cultura oriental e já era budista quando decidiu conhecer a região da China.

Sua experiência e conhecimento a levaram, em 2007, a integrar o Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz (Conpaz), da Assembleia Legislativa de São Paulo, representando o Lama Gangchen World Peace Foundation. O grupo promovia a não violência e o respeito aos direitos humanos.

Nascida em 17 de fevereiro de 1950, em São Paulo, foi criada na Vila Madalena, ao lado dos quatro irmãos. Queria ser artista plástica, mas o pai não deixou. Na adolescência, adorava poesia, cinema e MPB, como lembra a amiga Beatriz Albuquerque. “Ely sempre teve muitos e diferentes interesses.”

Formou-se em psicologia pela PUC-SP e atuou em seu consultório por anos, utilizando a metodologia Junguiana. “Ely conciliava esta atividade, que pede sutileza, com seu interesse pela alta subjetividade do budismo. Ela era solar, aventureira e ao mesmo tempo ligada aos filhos”, diz o amigo Jefferson Del Rios.

Fã dos Beatles e amante de mil-folhas, Ely levava todos os filhos, então skatistas, para meditar. “Foi uma mãe muito guerreira. Trabalhava muito pra sustentar os filhos e sempre dava um jeito de levar a gente para a praia no verão. Arrumava amigos para nos ensinar inglês. Tocava violão e comprava vinis nos domingos. E nos mandou estudar fora”, lembra o filho Gil.

A psicóloga sorria fácil, era bondosa e gentil, mas também brava, recorda o filho Pedro. “Era o tipo de pessoa que entregava o telefone para estranhos, que sentava do lado, no avião ou no trem, para manter contato ou ajudar em alguma coisa.”

Ele conta que a mãe o ensinou que a vida é feita de coisas boas e de coisas que doem. “Que vivemos, amamos e sofremos, mas que o mais importante é fazer tudo isso junto com quem amamos.”

Ely também ajudou a construir os chamados postes da paz, reunindo representantes de várias religiões. Eles são monumentos internacionais com a mensagem: “Que a paz prevaleça na Terra”. “Ela era uma mulher forte, corajosa, carinhosa e brava”, resume a filha Ana.

Ely morreu em 4 de fevereiro, aos 75 anos, de insuficiência respiratória aguda. Deixa 3 irmãos, 4 filhos e 8 netos.

coluna.obituario@grupofolha.com.br

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