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SP vai replicar escola que foi de pesadelo a sonho – 11/03/2026 – Educação

by Silas Câmara

Até poucos anos atrás, a escola estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, no litoral de São Paulo, era apelidada de “parque dos pesadelos” em razão da recorrência de casos de violência, invasões e furtos.

Com o esforço da equipe de direção e dos professores, a escola conseguiu se aproximar dos alunos e se tornou um espaço acolhedor. Em setembro do ano passado, a unidade foi uma das vencedoras do World’s Best School Prize 2025, que premia as “melhores escolas do mundo”. A unidade venceu na categoria superação de adversidade.

Agora, o modelo de ensino da Parque dos Sonhos será levado pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) para cem novas escolas, localizadas em áreas vulneráveis do estado. O anúncio da Rede Escola dos Sonhos será feito neste sábado (14) com a presença de Vikas Pota, fundador da T4 Education, organização responsável pelo prêmio.

À Folha Pota disse ter ficado muito feliz com a criação da rede, já que, segundo ele, o prêmio foi criado com o objetivo de incentivar a disseminação de boas práticas pedagógicas.

“O prêmio nasceu porque aonde quer que eu viajasse eu sempre encontrava uma ótima escola, um ótimo professor. E a pergunta que eu frequentemente me fazia era: por que não existem tantas escolas excelentes no mundo?”

“O que queríamos era dar oportunidades para escolas que passaram por essa jornada de transformação apresentarem seus estudos de caso de como saíram de uma escola com dificuldades ou, neste caso, de uma ‘escola pesadelo’, para se tornarem a escola dos sonhos. Estamos vendo isso acontecer, permitindo que outras escolas possam adotar práticas que se mostraram efetivas”, disse.

A metodologia adotada na escola segue princípios humanistas e de não violência, priorizando atividades extracurriculares que incentivam a conexão dos estudantes, como patinação artística, vôlei, capoeira, badminton, karatê, modelagem, teatro, dança, entre outros.

Esse modelo começou a ser implementado em 2021. Segundo a direção da escola, desde então a matrícula de alunos cresceu 500% e não houve mais registro de vandalismo.

A escola conta hoje com 592 alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. A unidade foi fundada em 2014 para atender famílias em situação de vulnerabilidade retiradas de uma área de risco de Cubatão.

“A grande transformação nessa escola foi ter uma liderança que acreditava em seus professores, nos alunos, na comunidade. Ao fazer isso, permitiram que as crianças se tornassem mais confiantes, se sentissem capazes de dar o próximo passo para alcançar seu potencial”, disse.

Segundo a Secretaria de Educação de São Paulo, o modelo será levado para 100 escolas no próximo ano letivo. As unidades estão localizadas na capital, na região metropolitana de São Paulo, em Campinas, em São José do Rio Preto e em São Vicente —nome das selecionadas não foi informado. Também não foi informado quanto será investido.

Pota também vai visitar nesta semana o colégio Dante Alighieri, uma das mais tradicionais escolas particulares da capital paulista. Ele destacou como as escolas podem se beneficiar ao trocar experiências com unidades com contextos parecidos.

“Na educação, a aprendizagem entre pares é um grande divisor de águas. Assim como os alunos aprendem melhor com os próprios alunos, as escolas também aprendem com aquelas que são parecidas. O que a escola Parque dos Sonhos está fazendo não é apenas servir sua própria comunidade, mas está inspirando outras em todo o estado.”

O pontapé inicial para a mudança na Parque dos Sonhos foi criar um projeto inspirado em um modelo cubano de educação: com visitas às famílias em suas residências. Nele, a escola identifica alunos com problemas de frequência, aprendizado ou indisciplina e marca um encontro com os responsáveis aos finais de semana.

A ideia é compreender a vida dos alunos fora da escola, já que muitos enfrentam condições precárias até chegarem à sala de aula.

Pota afirma não ver problema na coexistência dessa abordagem educacional humanística e a aposta do governo Tarcísio no uso de plataformas digitais para padronizar e controlar o que é feito em sala de aula e na implementação das escolas cívico-militares.

“Não vejo nada contraditório. O que importa é que as políticas sejam monitoradas e implementadas de forma efetiva para que as crianças se sintam seguras e protegidas para prosperar em suas escolas.”

Ele disse ainda que o prêmio de melhor escola do mundo a cada ano tem recebido mais inscrições de escolas cívico-militares brasileiras em busca de reconhecimento. Até agora, nenhuma foi vencedora ou entrou para as finalistas.

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