São Paulo
Nenhuma grande novidade inclusiva ganhou destaque nos cinemas paulistanos no último ano. O que foi possível observar e constatar, inclusive, foi um certo recuo na oferta de novas tecnologias de inclusão, melhorias em arquiteturas para salas mais receptivas e um afrouxamento da postura de tentar fazer o universo da sétima arte se tornar mais plural.
Cinépolis Jardim Pamplona, eleita a melhor acessibilidade em salas de cinema
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Adriano Vizoni/Folhapress
Com processos e bilheterias cada vez mais informatizados, há menos pessoas para atuar em situações típicas que envolvem o público com deficiência e idoso, por exemplo. Receber uma informação, uma ajuda para algo trivial —como carregar um saco de pipocas, ou enxergar o número da poltrona— fica mais distante de algo possível de ser oferecido.
Por outro lado, consumidores de grupos diversos foram encorajados nos últimos anos a saírem de casa para verem seus filmes preferidos no cinema porque haveria condições de recebê-los melhor em relação a um passado não muito distante. E está sendo mais comum ver pessoas com andadores ou cães-guias atrás de bons filmes.
Nesse sentido, as salas do Cinépolis Jardim Pamplona (todas VIP) seguiram mantendo o compromisso inclusivo e retomaram o posto de destaque em acessibilidade e inclusão, que já haviam ganhado em anos anteriores deste especial —foi o melhor da categoria também em 2023 e 2024.
O cinema continua dando publicidade a seus mecanismos de tecnologia assistiva, melhorou a forma como pessoas com deficiência podem adquirir suas entradas e voltou a ficar atento a clientes que possam necessitar de um olhar mais próximo.
Destacam-se também no complexo, localizado dentro do shopping Jardim Pamplona, o piso podotátil, que orienta o caminhar de cegos e pessoas com baixa visão, a boa localização dos espaços reservados a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida dentro das salas e o serviço de atendimento personalizado. Para completar, o cinema dispõe de espaço para cão-guia.
Em outras redes que afirmam ter aplicativos ou dispositivos que otimizam a experiência do filme para pessoas com deficiência visual, intelectual ou auditiva —com geração automática da descrição das cenas, para cegos, e Libras ou legendas, para surdos— faltam informações claras e explicativas da oferta.
Acessibilidade física e comunicacional é direito e não pode ser vista como benefício agregado ou favor das empresas aos consumidores com deficiência. A excelência inclusiva, por sinal, não pode ser sempre vinculada a um serviço premium e mais sofisticado.
Mesmo assim, é valioso apontar exemplos como o do Jardim Pamplona, o que joga luz à pluralidade dos apreciadores de cinema e de entretenimento e suas legítimas vontades de estarem e aproveitarem onde bem quiserem.
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