Lembra aquele asteroide que tinha risco de bater na Terra, depois esse perigo acabou afastado, mas restava ainda uma chance de 4% de bater na Lua? Então, não vai mais. A constatação vem de um inesperado resultado colhido com o Telescópio Espacial James Webb.
O objeto catalogado como 2024 YR4, com seus cerca de 60 metros de diâmetro, chamou atenção quando sua trajetória inicialmente calculada parecia oferecer uma chance não desprezável de colisão com a Terra –o mais perigoso descoberto nos últimos 20 anos. Sabia-se então que apenas mais observações poderiam refinar os parâmetros de sua órbita a ponto de confirmar ou descartar um impacto, e o mais provável sempre foi o de não acontecer, embora por alguns dias essa chance tivesse até aumentado, chegando a um pico de 3,1%, em 18 de fevereiro de 2025.
Cinco dias depois, os astrônomos já haviam conseguido zerar esse risco –o caminho esperado, conforme as observações tornam a órbita mais e mais precisa–, mas então abriu-se uma nova possibilidade: um risco de colisão com a Lua, que chegou a ser de 4,3%, em 11 de maio de 2025.
Caso viesse a ocorrer, esse impacto se daria em 22 de dezembro de 2032 e não seria um evento sem consequências para a Terra –uma chuva de detritos deveria ser ejetada da superfície lunar e atingiria nossa atmosfera, causando, na melhor das hipóteses, uma intensa chuva de meteoros e, na pior, prejuízos com satélites artificiais afetados pelos detritos. Na Lua em si, o impacto abriria uma cratera com 500 a 2.000 metros de diâmetro, numa detonação equivalente a 340 vezes a energia da bomba atômica jogada sobre Hiroshima em 1945.
Sabemos de tudo isso porque passamos uns bons meses com essa dúvida, e pesquisadores tiveram tempo de estudar e avaliar possíveis efeitos dessa hipotética colisão. E a expectativa inicial era permanecer com essa dúvida até 2028, quando o asteroide voltaria a ser visível por telescópios.
Porém, um grupo internacional de astrônomos identificou duas oportunidades em que, talvez, em fevereiro deste ano, fosse possível usar o Telescópio Espacial James Webb para rastrear o asteroide, comparando sua travessia por um campo de estrelas distantes cuja posição foi precisamente determinada graças ao trabalho pregresso do satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia.
As observações foram realizadas e, com isso, obtivemos uma órbita mais precisa do 2024 YR4 dois anos antes do esperado. E agora as agências espaciais americana e europeia têm convicção de que um risco de impacto com a Lua é zero. Na verdade, o asteroide passará a mais de 20 mil quilômetros da superfície lunar.
Pode parecer uma distração um pouco frustrante (principalmente para a turma do “vem, meteoro!”), mas esses eventos são ótimos para testar os “músculos” dos astrônomos ao rastrear asteroides e determinar o risco de possíveis impactos. Estima-se que um objeto desse porte deva colidir com a Terra mais ou menos uma vez por século, então, embora seja baixa a probabilidade de qualquer uma dessas descobertas acabar por identificar uma futura colisão, uma hora isso vai acontecer. E, quanto antes soubermos, mais opções teremos para tentar evitar problemas aqui embaixo.
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