O Brasil não tem hoje uma seção que o represente diante do International Board on Books for Young People, a maior instituição internacional da literatura infantojuvenil, já que a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil foi destituída desse posto em 31 de dezembro do ano passado.
Isso quer dizer que o Brasil não tem mais direito de nomear candidatos ao prêmio Hans Christian Andersen, tido como o Nobel da literatura infantojuvenil, em que sempre foi bastante competitivo e que já venceu três vezes.
Os vitoriosos pelo conjunto da obra foram as escritoras Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000, e o ilustrador Roger Mello, em 2014. Há apenas dois anos, o Brasil teve dois finalistas, Marina Colasanti e Nelson Cruz, ganhadores de diversos Jabutis. A edição mais recente do Hans Christian Andersen foi a primeira em que o Brasil não teve nenhum indicado em mais de 40 anos.
Agora, o país não pode nem competir, porque a FNLIJ não cumpriu com suas obrigações com a entidade que concede o prêmio. O esclarecimento foi feito por Carolina Ballester, diretora-executiva do International Board on Books for Young People, o IBBY, em mensagem à Folha.
O desligamento acontece em meio a uma crise na FNLIJ, que culminou há alguns dias na retirada em massa de todos os votantes do prêmio anual da entidade, apontando “sinais de abandono institucional” e insuficiência de recursos humanos e financeiros para realizar a premiação.
A fundação é uma entidade independente sem fins lucrativos, com mantenedores privados. Seu presidente nos últimos cinco anos, Julio Cesar Silva, afirma já ter encontrado a fundação amarrada por dificuldades de financiamento e impedimentos jurídicos quando assumiu.
Ballester, francesa que dirige o IBBY desde 2022, afirma ter notificado a FNLIJ do desligamento por email e carta no começo do ano, mas jamais ter obtido resposta.
Os votantes que bateram em retirada do prêmio da FNLIJ afirmaram, em carta, que havia um risco de esse corte acontecer por falta de pagamento das taxas obrigatórias da filiação ao IBBY.
A falta de representação também impede o Brasil de participar de programas promovidos pela instituição estrangeira, como bolsas e eventos. Na prática, é um apagão da representação internacional da literatura infantojuvenil brasileira.
“Claro que estamos tristes que uma parceria tão longa tenha terminado nessas circunstâncias”, diz Ballester sobre o fim de uma filiação que durou quase 60 anos, desde a fundação da FNLIJ. “Mas estamos convencidos de que novos parceiros podem aparecer para levar adiante, com força e convicção renovada, a missão da nossa organização no Brasil e para promover a bela literatura infantil do seu país ao mundo.”
A diretora do IBBY deixa claro que outras instituições podem tomar o lugar da FNLIJ como seu braço brasileiro e que o procedimento para fazer isso está descrito no site da entidade.
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