Home » Série ‘Estopim’ resgata histórias de vítimas de violência – 19/03/2026 – Ilustrada

Série ‘Estopim’ resgata histórias de vítimas de violência – 19/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Esta é a edição da newsletter Todas desta quarta-feira (18). Quer recebê-la toda semana no seu email? Inscreva-se abaixo:

Aída Cury, Sandra Gomide, Eloá Pimentel, Luana Barbosa, Marielle Franco. Essas são algumas das mulheres retratadas na série “Estopim”, que usa a linguagem do true crime para discutir origens e pontos de inflexão de violências contra a mulher.

A produção, da Escafandra Transmedia, foi lançada em 8 de março e está disponível no DOC Canal Brasil, no Prime Video. Em cinco episódios, separados pelo tipo de violência sofrida —política, sexual, conjugal, de ódio ou invisibilizada—, crimes famosos são discutidos sob o aspecto do impacto que causaram na sociedade.

O projeto, conta a diretora Ana Teixeira, começou ainda em 2020. A ideia era repensar o formato de true crime para centralizar a vida das mulheres, não o fim violento que encontraram nas mãos de outros. “Eu fiquei incomodada que nessas produções eram os corpos das mulheres que apareciam vilipendiados”, explica.

Por isso, ela decidiu que os episódios trariam mais de uma história. Conectadas por algum aspecto, as histórias dos assassinatos dessas mulheres —por parceiros, por desconhecidos ou por matadores contratados, por exemplo— passam a servir para explicar um fenômeno epidêmico do Brasil: a violência de gênero.

“A gente não queria falar sobre os pormenores do crime, queria rememorar essa mulher, trazer um pouco as memórias e os sonhos dela, mostrar como foi complicado para a família”, conta Teixeira. “Quando uma mulher é vítima de homicídio, existem os órfãos, as mães que perdem suas filhas.”

No primeiro episódio, por exemplo, o traço em comum é o incômodo político que causavam a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, a juíza Patrícia Acioli, que foi vítima em 2011, e a ativista contra a ditadura Dora Barcellos, torturada pelo aparato militar.

Em relação aos crimes sexuais, Teixeira decidiu resgatar dois crimes antigos que já saíram do imaginário imediato. Aída Curi e Mônica Granuzzo, separadas por décadas, sofreram o mesmo destino. Foram estupradas e jogadas pela janela de prédios de alto padrão no Rio de Janeiro —a primeira em 1958 e a segunda, em 1985.

A série também revisita crimes de ódio cometidos contra mulheres LGBTQIA+, como o caso de Gisberta Salce, mulher trans brasileira assassinada em Portugal em 2006, e o de Luana Barbosa, lésbica e morta pela polícia militar no interior de São Paulo dez anos depois.

O último episódio foi dedicado a crimes invisibilizados, juntando histórias de mulheres rurais e indígenas. “Os primeiros episódios são muito importantes para que este possa existir e falar sobre crimes que nem sequer são estopins porque muitas vezes não são notificados ou são retratados de forma incorreta na mídia”, explica a diretora.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment