Home » Turnstile volta ao Lollapalooza como headliner – 19/03/2026 – Ilustrada

Turnstile volta ao Lollapalooza como headliner – 19/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Entre o hardcore e a pista de dança, o som da banda Turnstile sempre pareceu desafiar rótulos. Nunca foi mal-humorado e cinza o suficiente para se encaixar na estética do punk-rock tradicional, mas também não satisfaz os ouvidos do pop de baladas em todas as suas faixas.

Em 2022, vieram ao Lollapalooza na terceira linha do cartaz. Tocaram às 15h de uma sexta-feira. O horário comercial não ajudou a engrossar a plateia, embora fãs mais dedicados tenham aparecido para cantar as músicas.

Quatro anos depois, a banda de Baltimore retorna ao Brasil em outra posição. Agora, ocupa a primeira linha da programação e se firma entre as atrações principais do Lollapalooza 2026. O show do grupo —hoje formado por Brendan Yates, Meg Mills, Franz Lyons, Pat McCrory e Daniel Fang— está marcado para domingo, dia 22, às 19h.

O salto de escala acompanha uma trajetória recente marcada por aclamação e reconhecimento institucional.

O terceiro álbum do quinteto, “Glow On” (2021), transformou a banda em fenômeno além do hardcore. Faixas como “Holiday” e “Blackout” renderam três indicações ao 65º Grammy e ajudaram a expandir o público do grupo para além das rodas de bate-cabeça.

O impulso continuou com “Never Enough”, lançado em junho de 2025. O disco, que veio acompanhado por um ambicioso e colorido “visual album”, foi recebido com entusiasmo pela crítica e ampliou ainda mais a mistura que define o som da banda. É uma bagunça de guitarras hardcore, grooves dançantes e momentos quase etéreos que dá certo.

Foi, aliás, com “Never Enough” que a banda conquistou dois gramofones de ouro no Grammy deste ano, nas categorias melhor álbum de rock e melhor performance de metal, com a música “Birds”.

Apesar da nova dimensão da carreira, a preparação para um show gigante não muda tanto quanto se imagina. Em entrevista, o vocalista Brendan Yates diz que o espírito continua o mesmo.

“Na verdade, não acho que muita coisa mude na preparação. A banda sempre se prepara da mesma forma”, afirma. “Agora só temos mais gente na equipe. Chamamos amigos para ajudar na produção, na estrada. A família cresceu um pouco.”

Parte do fascínio em torno do Turnstile vem da maneira como o grupo desafia as fronteiras tradicionais do hardcore. Em vez da rigidez estética típica do gênero, o quinteto incorpora melodias pop, psicodelia e ritmos que flertam com a música de pista.

Para Yates, porém, não se trata de estratégia. “Desde o começo sempre foi música para mover as pessoas. É dança de alguma forma”, afirma. “Explorar isso e ir para lugares diferentes é importante. Quando você faz música de maneira honesta, nunca está emocionalmente no mesmo lugar.”

O processo de criação do novo disco foi o mais intenso da carreira da banda. Segundo Yates, as composições começaram de forma solitária, com ideias surgindo em seu quarto, antes de se transformarem em um projeto coletivo.

A banda chegou a morar junta durante a gravação. O álbum foi registrado em uma sala de estar improvisada como estúdio — e, logo depois, transformado em um projeto audiovisual completo. “Foi o processo mais intenso que já tivemos”, diz. “Não era só uma coleção de músicas. Pensamos em tudo como um grande quadro.”

Além da experimentação sonora, o Turnstile também se associou a uma postura social e política consciente. Yates vê isso como parte natural do papel da arte. “A música pode servir como um espelho”, afirma. “Pode dar voz a pessoas que não têm voz. Quando você tem uma plataforma, precisa tentar trazer o máximo de coisas boas para o mundo, chamar atenção para injustiças e elevar pessoas.”

“Uma coisa linda sobre a música é que ela une as pessoas, une pessoas que estão buscando algo e lutando juntas contra dificuldades”, diz.

No fim das contas, porém, o que o vocalista espera do público brasileiro é algo mais simples do que qualquer manifesto. “Ninguém precisa saber nada antes do show”, diz. “É só aparecer e viver o momento.”

Mas com uma ressalva bem-humorada. Quem estiver perto do palco talvez precise se preparar. “Talvez seja bom tomar cuidado com corpos voando.” Afinal, Turnstile ainda é uma banda hardcore e um bom bate-cabeça, ou mosh pit, é lei.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment