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Lollapalooza: Deftones toca para fãs antigos e geração Z – 20/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

O Deftones fez um show revigorante na noite desta sexta-feira (20), no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo. A banda americana tocou depois da rapper Doechii e antes da headliner Sabrina Carpenter, sendo uma das principais atrações do primeiro dia deste Lollapalooza Brasil, que acontece até domingo (23).

Entre cantoras novas, que tiveram destaque nas últimas edições do Grammy, o Deftones pode soar como algo fora de moda, já que foi criado nos anos 1980 e ascendeu à fama entre as duas décadas seguintes. Mas sua plateia, numerosa para um dia pop, estava repleta de jovens e a apresentação não se resumiu ao apelo nostálgico.

Esta é a sexta passagem do Deftones pelo Brasil, desde 2001, quando o grupo tocou no Rock in Rio. Já são mais de dez anos, no entanto, desde o último show dos californianos por aqui —em 2015, quando eles voltaram ao festival carioca e também passaram por São Paulo em noite dividida com o System of a Down.

Nesse período, a banda viu seu prestígio e popularidade crescerem de maneira improvável. Graças ao sucesso recente de suas músicas no TikTok, como trilha para os mais diversos vídeos curtos, o Deftones ganhou a alcunha de banda de heavy metal favorita da geração Z. Mas esse apelo vai além.

O grupo foi da segunda prateleira do movimento a que pertenceu, o nu metal, a uma das mais respeitadas do rock da década de 1990. Entre os fãs de música, ampliou-se a percepção sobre a obra clássica do Deftones —como algo mais interessante do que a mistura radiofônica de rap e heavy metal cristalizada de maneira caricatural pelo Limp Bizkit— ao mesmo passo que o último álbum do grupo, “Private Music”, do ano passado, foi aclamado pela crítica.

Não foi à toa que a obra respondeu por cerca de um terço do repertório do show no Lollapalooza. Elas foram entremeadas por músicas de quase todos os outros nove álbuns da banda —sendo que “White Pony”, de 2000, é o mais emblemático deles.

Ambas, aliás, estiveram entre as mais aplaudidas da apresentação, por sua vez uma das mais energéticas deste primeiro dia de Lollapalooza. Show de música mais extrema deste primeiro dia do festival, o Deftones viu o público pular, fazer rodas de bate-cabeça e acender sinalizadores.

Por volta da metade do show, Chino Moreno cumprimentou a plateia, observando os fãs espalhados pelo morrinho no palco Samsung, o segundo maior deste Lollapalooza.

Em ação no palco, a banda liderada por Moreno é ainda mais difícil de ser definida do que nos discos. Se o encaixe no nu metal é inegável, há no Deftones também a candura criada pelo barulho distorcido das guitarras, próprio do shoegaze, riffs e gritos guturais do thrash metal, algumas rimas e atitude do rap, o peso sonoro do grunge e ainda algum suingue.

A bateria, aliás, é um pilar do Deftones. Abe Cunningham, uma atração à parte ao vivo, não só tem a mão pesada, mas às vezes parece controlar o tempo com as baquetas, quando evoca ritmos quebrados e mudanças repentinas de andamento.

Da plateia, a sensação não era de um artista de obra vasta visitando suas diversas eras, mas de uma banda mostrando como pode manipular de várias formas uma mesma premissa estética. Ela envolve muito barulho, temas depressivos, agressividade e tristeza, uma combinação que segue atrativa para os jovens que estavam gravando vídeos com o celular durante o show.

Se o nu metal não está mais na moda, o que certamente não perdeu apelo foi o desarranjo existencial exorcizado entre berros e riffs de guitarra do Deftones. A banda mostrou em São Paulo não só que seu repertório sobreviveu ao teste do tempo, como na verdade ele parece mais relevante agora.

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