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Rodrigo Teixeira celebra 20 anos da RT Features com mostra – 20/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Foi por pouco que a RT Features, produtora de Rodrigo Teixeira, não comemorou o aniversário de 20 anos em plena cerimônia do Oscar, ganhando o que é um dos presentes mais cobiçados da indústria do cinema. Mas é como se o prêmio de filme internacional para “Ainda Estou Aqui“, há um ano, tivesse adiantado a festa.

Marcada para esta sexta-feira (20), com a abertura de uma retrospectiva que ocupa a Cinemateca até o dia 29 deste mês, a comemoração tem como um de seus destaques uma sessão do longa de Walter Salles. Mas não só.

São 21 filmes produzidos pela RT Features que ganham exibição nas salas Oscarito e Grande Otelo. Os ingressos, gratuitos, são distribuídos com uma hora de antecedência.

“O mesmo amor que eu tenho por um filme brasileiro, eu tenho por um estrangeiro. Mas ‘Ainda Estou Aqui’ me trouxe a maior alegria da minha carreira. É muito legal você vencer algo com um filme que é do seu país”, diz Teixeira sobre o currículo que se alterna entre produções feitas aqui e lá fora.

Outros dos longas que ele produziu chegaram ao Oscar antes —mais notavelmente, “Me Chame Pelo Seu Nome“, sério concorrente a algumas das principais categorias da premiação e responsável, de certa forma, por fazer o nome de Teixeira extrapolar a bolha cinéfila em seu país.

O filme de Luca Guadagnino foi indicado a quatro estatuetas, incluindo melhor filme, e venceu em roteiro adaptado. É o tipo de proeza que serve como divisor de águas na carreira de qualquer produtor.

Prêmios em outras cerimônias e festivais também foram entregues a títulos como “Ad Astra: Rumo às Estrelas”, “Armageddon Time”, “Frances Ha”, “O Farol”, “A Bruxa” e “Murina”, todos com sessões na mostra da Cinemateca, mas é curioso que os caminhos mais bem sucedidos que Teixeira ajudou a sedimentar tenham se voltado a dois filmes nacionais.

Além de “Ainda Estou Aqui”, ele cita “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, que venceu a mostra Um Certo Olhar no Festival de Cannes de 2019 e foi a escolha do Brasil para tentar uma vaga ao Oscar no ano seguinte.

É prova de que o cinema brasileiro vive mesmo um momento bom. Teixeira, porém, vê com cautela a dobradinha de indicações ao Oscar de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. No mês retrasado, ele disse a este jornal, durante a Mostra de Tiradentes, que o Brasil provavelmente não voltaria à premiação hollywoodiana tão cedo.

“Eu não vejo o cinema brasileiro nos próximos dois ou três anos voltando para o Oscar”, afirmou na ocasião. “Vai existir interesse no cinema brasileiro? Vai. Temos filmes para Cannes? Acho que não. Temos filmes para Veneza? Também acho que não. Temos poucos filmes com chance de entrar, poucos.”

Ele reforça, agora, que há uma mudança no cinema brasileiro. “Houve um reconhecimento e isso muda a perspectiva de quem faz cinema no Brasil. Quando eu comecei, há 20 anos, a gente tinha ‘Central do Brasil’ e ‘Cidade de Deus’ como referência, mas já tinham passado. Agora novos produtores vão ter como referência ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘O Agente Secreto'”, diz.

O segredo, para ele, é saber aliar filmes ditos “de arte” com entretenimento, produções capazes de ganhar prêmios, mas também arrastar multidões para as salas, especialmente no momento atual de crise na indústria.

“Eu tenho que continuar buscando esse tipo de resultado em outros filmes. Não necessariamente brasileiros, mas se eu conseguir voltar com o Brasil para o mesmo lugar de ‘Ainda Estou Aqui’, eu vou ficar duplamente realizado.”

Além de levar alegria para casa, Teixeira diz ainda que a vitória do drama estrelado por Fernanda Torres lhe abriu portas. Mesmo que a estatueta de filme internacional vá para o país, e não para o diretor ou produtor do longa, como é o caso do Oscar de melhor filme, Teixeira afirma que agora é visto como um “Oscar winner”, o que acelera parcerias, facilita liberação de verba e, consequentemente, faz com que tirar uma obra do papel seja muito mais fácil.

Para o futuro, ele busca esse mesmo equilíbrio —uma parcela de filmes estrangeiros e outra de nacionais, como “O Cheiro do Ralo”, “Alemão” e “O Animal Cordial”, outros em cartaz na Cinemateca.

Mas a menina dos olhos do momento vem lá de fora. Teixeira vai produzir nada menos que o novo filme de Brian De Palma, cineasta lendário de Hollywood que vai quebrar um jejum que se aproxima de uma década com “Sweet Vengeance”, thriller atualmente em desenvolvimento.

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