A banda Foto em Grupo, que foi anunciada no Lollapalooza antes mesmo de lançar seu primeiro disco, fez o show com mais manifestações políticas do festival. O grupo se apresentou na tarde deste sábado (21), que também teve boa amostra do rap carioca atual e música experimental.
Agora com um disco na bagagem, a banda formado por integrantes de Anavitória, Lagum e Daparte ocupou um dos maiores palcos do Lollapalooza —o Samsung. Ainda que a plateia fosse grande, a maior parte das pessoas estava sentada no morrinho em frente ao palco. O show atraiu muitos fãs da headliner do dia, Chappell Roan, identificáveis pelos chapéus cor de rosa.
Em meio a sonoridade meio good vibes que mistura rock e MPB com toques de psicodelia e ecos da tropicália —incluindo um cover de “Top Top”, dos Mutantes—, o Foto em Grupo tirou um momento para falar sobre questões sociais. Ele veio durante a performance da música “Eu te Odeio”.
Os integrantes fizeram uma brincadeira em que cada um dizia algo que odiava. A lista contou com situações cotidianas, como sentir ressaca, e escalou para críticas a Donald Trump —”o laranja que acha que pode interferir no país dos outros”—, Jair Bolsonaro— “até hoje segue impune pelas mortes evitáveis na pandemia”, os red pills, o feminicídio, a escala 6×1 e a “galera que é patriota e fica batendo continência para a bandeira dos Estados Unidos“.
Ainda que o Foto em Grupo conte com músicaos de bandas famosas, a cantora Ana Caetano, metade do duo Anavitória, foi a mais celebrada pelo público. A plateia berrou seu nome quando ela foi anunciada ao fim da apresentação, quando as pessoas já se direcionavam ao palco principal, o Budweiser, para ver o show de Marina.
O segundo dia do Lollapalooza, que começou sexta (20) e vai até domingo (22), teve sol forte e muito calor. Apenas algumas dezenas de pessoas estiveram no palco eletrônico, chamado de Perry’s, para ver o grupo Crizin da Z.O., escalado para pouco depois das 14h.
Eles fizeram um dos shows mais experimentais e inventivos desta edição do festival, misturando música eletrônica com funk, samba e drum ‘n bass. A apresentação foi toda construída em cima de voz, guitarra, batuques e batidas, com um repertório baseado no disco “Acelero”, de 2024.
O palco Perry’s teve também boas apresentações de rap nacional —em especial o do Rio de Janeiro— à tarde. Foi o caso do Febre 90s, dupla de rap formada pelo paulista Sono TWS e o carioca Pumapjl. Já depois das 15h30, eles encontram uma plateia mais numerosa que o Crizin da Z.O., contada às centenas, para mostrar suas músicas construídas em cima de samples antigos.
Usando balaclavas nos rostos, eles receberam um dos grandes nomes da cena atual do rap no Rio, Leall, para uma performance de “Ai Calica”. Também contaram com Lis MC no palco, engrossando o caldo em “No Piscar de Olhos”, e Putodeparis.
A dupla desfilou as rimas em que fazem reflexões existenciais enquanto desenham retratos do cotidiano de vidas cariocas. Isso inclui um passeio pela praia, uma volta de carro com o rosto batendo no rosto, tomar uma caipirinha, a correria para ganhar a vida e o luto pela morte de um amigo.
A plateia, que foi crescendo ao longo da apresentação, levantou os braços e fez barulho, mesmo castigada pelo calor. “Vamos subir essa temperatura”, repetiu Pumapjl conforme o show ficava mais intenso.