Quando emergiu para o mundo da música eletrônica enquanto DJ de arenas e festivais gigantes, na virada dos anos 2010, Skrillex representava às avessas do que se entendia como cânone das pistas —e do dubstep, gênero que lhe servia de fundação.
Seu som era comercial demais para os puristas e radical demais para o pop. E quanto ao dubstep, o americano tinha revirado tanto o cruzamento britânico de dub e 2-step a ponto de ser associado ao termo “brostep”, uma versão de alta testosterona do gênero.
O tempo mostrou que Skrillex era mais do que uma febre de verão. O DJ cunhou um estilo próprio: sobrevoa gêneros e mói os sons de pista em novos formatos, sempre ancorado no seu próprio dubstep especialmente em termos de percussão e sound design, mantendo a força do som que bate no peito.
Foi esse set que ele trouxe ao Brasil, com personalidade e capacidade de produção impressionante, tanto em número quanto em personalidade —nos bastidores sabe-se que ele compõe músicas específicas para cada um dos seus shows; o Brasil não foi exceção.
O destaque dessa vez foi “Syrinx”, assinada em parceria com o DJ e produtor brasileiro RHR e lançada no seu último EP, “Gíria”. A produção conta com os vocais em português dos artistas Me Jesmay e Lucas Swatch, que subiram ao palco para acompanhar Skrillex durante a faixa.
Há alguns anos Skrillex vem tecendo laços com a música brasileira. No último Lollapalooza em que tocou no Brasil, ele se uniu ao duo Deekapz e tocou numa festa de última hora no centro de São Paulo.
Dessa vez, o DJ não só trabalhou ao lado de artistas brasileiros como também tocou na rádio Veneno, plataforma independente de música eletrônica de São Paulo. No set, um b2b com RHR, fez base para uma participação de MC Dricka e da indiana Naisha —que também subiu ao palco do Lolla brevemente.
Sobre o palco, o DJ também mostrou que segue dono de uma poderosa habilidade técnica. Mais do que velocidade, que pode ser um falso virtuosismo, Skrillex sabe levar a pista com dinâmica. Em menos de 5 minutos ele conseguiu manipular andamentos, vocais de Justice e Daft Punk e batidas de funk, tudo a sua maneira maximalista.
É inevitável que seu som caia também com alguma dose de saudade para muitos jovens que descobriram a música eletrônica com ele. Seu primeiro show no Lollapalooza Brasil foi em 2012 e, desde então, Skrillex se tornou a figura mais representativa do catálogo sonoro aberto pela rebeldia do dubstep globalizado.
Faixas como “Where Are U Now”, de 2015, hoje soam menos transgressoras. Na pista do Lollapalooza, porém, esses e outros sucessos da primeira metade da década passada, como “Try it Out” e o clássico “Make It Bum Dem”, levaram o público ao delírio a bordo de nostalgia millenial.
O DJ fechou o set com outros desses clássicos, “Kyoto”, e foi aplaudido por um público extasiado. A saída foi rápida. Ainda nessa noite, Skrillex toca em outra festa no interior de São Paulo, uma surpresa para o público brasileiro.