Home » Cesar Camargo e filhos de Elis divergem sobre álbum – 23/03/2026 – Ilustrada

Cesar Camargo e filhos de Elis divergem sobre álbum – 23/03/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

O relançamento do álbum “Elis”, de 1973, em versão remixada e remasterizada, provoca uma divergência pública entre os filhos da cantora Elis Regina (1945-1982) e o pianista e arranjador Cesar Camargo Mariano. O ex-marido e pai de dois dos três filhos da artista criticou o projeto em uma longa publicação nas redes sociais —e foi rebatido em seguida.

Liderado por João Marcello Bôscoli, filho mais velho de Elis com o compositor e produtor Ronaldo Bôscoli, o relançamento estava previsto para março de 2025, quando a cantora completaria 80 anos. Atrasou e ocorreu na última terça-feira, data do aniversário de 81 anos.

Três dias depois, Camargo escancarou o descontentamento com as modificações no álbum em que foi diretor musical, arranjador e pianista, quando era casado com Elis.

Canções como “Cabaré”, “É com esse que eu vou” e “Folhas Secas” estão disponíveis nos serviços de streaming de música como se tivessem sido gravadas em 2026, em uma tentativa de superar limitações técnicas da década de 1970. O álbum original também segue disponível, sem modificações.

Camargo disse que ouviu a novidade “com tristeza”. Para ele, foi jogado no lixo o trabalho de criação do conceito musical, dos arranjos, das execuções, dos planos de gravação e mixagem.

“Estas questões, para mim, não são passíveis de alterações por terceiros”, afirmou.

Ele cita, por exemplo, uma alteração no final da faixa “É com esse que eu vou”, dizendo que o trecho foi planejado exaustivamente por ele e Elis. “Tinha um forte sentido aquele espaço que deixei em suspense no arranjo, em função da interpretação e da história que estava sendo contada e cantada por ela”.

O músico criticou também a presença de duas guitarras na faixa “Doente Morena”. Para ele, o “duelo” atrapalha o lirismo da interpretação. Em “Oriente”, o corte no princípio da frase “a possibilidade de ir pro Japão” é apontado como um problema mais grave do que uma eventual deficiência na dicção. Camargo disse ainda que a percussão ficou exagerada em “Caçador de Esmeraldas” e que há um tímpano que se sobrepõe à voz de Elis.

Ele negou ser contrário ao uso das tecnologias e lembrou que produziu, em 2004, a remixagem do álbum “Elis e Tom”.

Segundo o músico, os planos técnicos de gravação e mixagem do álbum de “Elis” foram aprovados pela cantora e ela não ficaria feliz com as “alterações e mutilações” realizadas.

O cantor Pedro Mariano, por sua vez, disse neste domingo (22) não ter entendido a polêmica que envolve, além do pai, outros artistas e fãs da cantora. Também em uma longa publicação, ele lembrou o direito dos três filhos de Elis para aprovar ou vetar projetos.

“Temos também competentes e experientes escritórios de advocacia especializados nas questões jurídicas e artísticas que envolvem todas as liberações”, reforçou.

Pedro mencionou a empreitada para manter o legado da mãe, com filme, documentário, biografia, musical e relançamentos, apesar de desafios como a perda da memória cultural e os algoritmos que influenciam o mercado atual da música.

“Se um projeto da Elis está no ar, foi porque nós, os herdeiros, aprovamos. Isso é ponto pacífico”, disse. “Não houve falta de respeito, critério e carinho em nenhuma etapa. Não faltou dedicação, seriedade e amor no processo”.

João Marcello compartilhou o comunicado de Pedro. Maria Rita, também filha de Camargo, não se pronunciou, mas é citada pelo irmão como uma das herdeiras que aprovou o projeto.

“Não é obrigatório gostar do álbum. Apenas lembrem que nós, João Marcello, Maria Rita e eu estamos envolvidos e em nenhum momento estivemos munidos de qualquer sentimento que não fosse o melhor para a obra”.

Não é a primeira divergência entre as partes. Em 2022, os três filhos da cantora manifestaram apoio ao “Arquivo Elis Regina”, criado por fãs no Youtube e Instagram, após o canal receber uma notificação extrajudicial de Camargo para a retirada de vídeos com apresentações musicais.

Na época, ele argumentou que parte do conteúdo do site estaria sendo monetizado e alegou ter ficado sem resposta para emails questionando a autorização de músicos, artistas e outros detentores de direitos autorais.

Na polêmica de agora sobre o relançamento do álbum de 1973, vários artistas se manifestaram. Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Elba Ramalho, Frejat e Fabiana Cozza prestaram solidariedade a Cesar Camargo Mariano.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment