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Guerra esvazia shoppings de luxo em Dubai – 25/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está esvaziando os shoppings de luxo de Dubai e cortando o acesso a portos cruciais, enquanto a retaliação de Teerã contra seu vizinho mais próspero desestabiliza um mercado importante para a indústria global de alto padrão.

No imenso Dubai Mall, que abriga mais de 1.200 lojas e normalmente recebe mais de 100 milhões de visitantes por ano, o fluxo de pessoas caiu drasticamente durante as três primeiras semanas da guerra.

O número de visitantes na loja Bloomingdale’s caiu 45% em comparação com o mesmo período do mês anterior, de acordo com um documento detalhando os números oficiais de tráfego.

O fluxo de pessoas na Harvey Nichols, no vizinho Mall of the Emirates, que abriga uma estação de esqui coberta, diminuiu 57% no mesmo período, que antecedeu o festival do Eid.

As vendas durante o mês do Ramadã, que terminou em 19 de março, despencaram mais de 60% em ambas as lojas em comparação com o mesmo período do ano passado, mostram os números.

Representantes das duas varejistas e dos shoppings não responderam a pedidos de comentário.

Os Emirados Árabes Unidos, o principal polo financeiro e turístico da região, têm sido alvo de mísseis e drones nas últimas semanas, enquanto o Irã concentra sua retaliação nos aliados dos EUA no Golfo.

Para a indústria de luxo, o Golfo, com fortunas decorrentes do petróleo, tem sido uma das poucas regiões com crescimento regular nos últimos anos, enquanto as vendas na China e na Europa tropeçam.

A região representa cerca de 5% das vendas para a maioria dos grupos de luxo, segundo o Morgan Stanley. Mais da metade desse negócio está nos Emirados Árabes Unidos, onde grande parte dos gastos é impulsionada por turistas da Rússia, China e Índia. A Richemont, dona da Cartier, e o grupo italiano Zegna estavam entre as empresas mais expostas, disse o banco.

O governante do emirado, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, visitou o Dubai Mall nos primeiros dias da guerra em uma aparente tentativa de sinalizar que as lojas permaneciam seguras e abertas para negócios.

Mas desde que o conflito começou em 28 de fevereiro, as visitas de turistas e residentes caíram “dramaticamente” nos principais shoppings de Dubai, de acordo com o documento visto pelo Financial Times. O Irã lançou ataques com mísseis e drones contra o aeroporto de Dubai, arranha-céus e outras infraestruturas civis.

Três varejistas italianos com negócios em Dubai disseram a representantes do Ministério das Relações Exteriores da Itália durante uma reunião que suas vendas no emirado haviam caído de 35% a 40% em comparação com antes da guerra, segundo pessoas presentes.

Um executivo italiano do setor de luxo disse que os custos de manter butiques em Dubai significavam que elas “devem operar a todo vapor ou estamos em prejuízo constante… um cenário de redução nos gastos turísticos ao longo do ano é realmente ruim”.

Outros são mais otimistas. O chefe de uma varejista global de luxo disse que muitos de seus clientes do Golfo deixaram a região rumo à Europa, especialmente Londres, e continuavam comprando lá.

A Harrods, com sede em Londres, disse que esperava que muitos de seus clientes do Golfo “prolonguem suas estadias neste ano” e que estava “confiante” em relação aos próximos meses.

Os gastos no varejo são um motor crucial da economia de Dubai. No terceiro trimestre de 2025, os setores de comércio atacadista e varejista representaram 25,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do emirado.

O enfraquecimento da demanda do consumidor está sendo agravado pela interrupção no fornecimento de mercadorias para a região, causada principalmente pelas severas restrições impostas pelo Irã ao uso do estreito de Hormuz.

Navios que chegam ao porto vizinho de Khor Fakkan, localizado a cerca de 137 quilômetros de Dubai e que está priorizando bens essenciais, estão enfrentando atrasos de 10 dias ou mais, segundo a DHL.

Empresas europeias foram forçadas a redirecionar mercadorias destinadas a Dubai através de portos em Omã e na Arábia Saudita. A necessidade de os carregamentos viajarem centenas de quilômetros por estrada levou a uma escassez de caminhões e a um aumento acentuado nos custos de entrega, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto.

Prêmios de risco de guerra de US$ 3.000 a US$ 5.000 por contêiner se tornaram padrão. A DHL confirmou que estava adicionando sobretaxas para custos de combustível e tempos de viagem.

Dois exportadores de Milão, incluindo um fabricante de móveis de luxo, disseram que mercadorias destinadas a grandes clientes corporativos em Dubai foram redirecionadas para Jidá, de onde seriam transportadas por caminhão até os Emirados Árabes Unidos. A empresa de entregas cobrou sobretaxas de mais de 30 mil euros, disse um dos exportadores.

Alguns exportadores descobriram que carregamentos que estavam a caminho do Oriente Médio quando a guerra estourou acabaram em lugares tão distantes quanto Índia ou Singapura. Um executivo de uma empresa de mudanças descreveu a situação como um “pesadelo completo”.

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