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Milhares voltam às ruas dos EUA em protestos contra Trump e guerra no Irã – 28/03/2026 – Mundo

by Silas Câmara

Milhares de manifestantes protestam contra as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas ruas de cidades em todo o país neste sábado (28). Os atos são a terceira edição dos protestos “No Kings” (sem reis, em inglês), e agregam adversários do republicano, americanos descontentes com as políticas migratórias de Trump e oposição à guerra no Irã.

Mais de 3.200 eventos estão programados em todos os 50 estados do país. Os dois eventos anteriores do “No Kings” atraíram milhões de participantes.

Os cantores Bruce Springsteen e Joan Baez serão as principais atrações de um protesto no Capitólio estadual de Minnesota (sede do Legislativo e do Executivo estadual) onde mais de 100 mil pessoas devem se reunir, na cidade de St.Paul e em Minneapolis. O estado trava forte disputa judicial contra a Casa Branca.

Conhecidas como “cidades gêmeas”, as duas localidades se tornaram ponto central de protestos devido à repressão de Trump contra imigrantes e à incursão de agentes federais de imigração em centros urbanos governados por democratas —foi em Minneapolis que dois cidadãos americanos morreram durante abordagem de agentes federais.

Há previsão de protestos também em Nova York, Los Angeles e Washington, mas dois terços dos eventos estão ocorrendo fora dos grandes centros urbanos —um aumento de quase 40% em comunidades menores em relação à primeira mobilização do movimento em junho passado, segundo os organizadores.

“A história que define a mobilização deste sábado não é apenas quantas pessoas estão protestando, mas onde elas estão protestando”, disse Leah Greenberg, cofundadora do Indivisible, o grupo que iniciou o movimento no ano passado e liderou o planejamento dos eventos deste sábado.

Com as eleições de meio de mandato previstas para novembro deste ano nos EUA, os organizadores dizem ter visto um aumento no número de pessoas organizando eventos anti-Trump e se registrando para participar em estados profundamente republicanos, como Idaho, Wyoming, Montana e Utah.

Áreas suburbanas competitivas que ajudaram a decidir eleições nacionais estão mostrando aumento de interesse nos protestos, disse Greenberg, citando como exemplos os condados de Bucks e Delaware na Pensilvânia, East Cobb e Forsyth na Geórgia, e Scottsdale e Chandler no Arizona.

“Os eleitores que decidem eleições, as pessoas que batem de porta em porta e fazem o registro de eleitores e todo o trabalho de transformar protestos em poder, estão tomando as ruas agora, e estão furiosos”, disse ela.

A porta-voz da Casa Branca Abigail Jackson descartou os protestos como “sessões de terapia da Síndrome de Perturbação de Trump” (expressão usada para descrever suposta obsessão com o presidente), de interesse apenas para jornalistas, disse em comunicado.

No norte da Virgínia, nos arredores da capital, Washington, centenas de pessoas começaram a se reunir no sábado perto do Cemitério Nacional de Arlington antes de uma marcha planejada atravessando o rio Potomac até o National Mall da capital.

Alguns motoristas que passavam buzinaram em apoio, mas outros diminuíram a velocidade para insultar os manifestantes. “Vocês são todos idiotas”, gritou um homem de seu carro.

John Ale, 57, empreiteiro aposentado do setor de ar-condicionado e aquecimento, disse que dirigiu 20 minutos de sua casa na Virgínia para participar da marcha.

“O que está acontecendo neste país é insustentável”, disse ele. “A classe média, as pessoas comuns, não conseguem mais viver. E ele [Trump] está quebrando as normas, as coisas que nos faziam funcionar como país.”

O movimento “No Kings”, lançado no ano passado no aniversário de Trump, dia 14 de junho, atraiu de 4 a 6 milhões de pessoas em aproximadamente 2.100 locais em todo o país. A segunda mobilização, em outubro, envolveu cerca de 7 milhões de participantes em mais de 2.700 cidades, de acordo com uma análise de crowdsourcing publicada pelo jornalista de dados G. Elliott Morris.

O evento de outubro foi amplamente impulsionado por uma reação contra uma paralisação do governo, a repressão agressiva por parte das autoridades federais de imigração e o envio de tropas da Guarda Nacional para grandes cidades lideradas por democratas.

Os eventos deste sábado acontecem em meio ao que os organizadores descreveram como um chamado à ação contra o bombardeio do Irã pelos EUA e Israel, um conflito que chega ao um mês de duração neste domingo (29).

Morgan Taylor, 45, participou do protesto em Washington com seu filho de 12 anos e disse estar indignada com a ação militar de Trump no Irã, que ela chamou de “guerra estúpida”. “Ninguém está nos atacando”, disse Taylor. “Não precisamos estar lá.”

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