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Corrida Folha 105 anos tem trajeto elogiado – 29/03/2026 – Equilíbrio e Saúde

by Silas Câmara

Uma onda azul invadiu o centro de São Paulo logo depois de o sol nascer neste domingo (29). Eram os participantes da Corrida Folha 105 anos.

Milhares de pessoas largaram no Vale do Anhangabaú em provas de 3 km de caminhada e 5 km e 10 km de corrida. Havia de crianças a idosos e de corredores experientes a iniciantes, como a médica mineira Victória Spínola, 30, que começou a correr em janeiro deste ano estimulada pelo anúncio da prova da Folha. “Havia outros eventos em que eu poderia me inscrever, mas me animei para correr pelo centro”, disse.

Como no caso de Victória, o percurso por marcos importantes da história de São Paulo, como o edifício Martinelli, o Theatro Municipal e a catedral da Sé, foi um dos principais motivos que fez os corredores estarem no centro da cidade antes das 6h30.

“Já fiz centenas de provas e me interessei por esta por ser no coração de São Paulo”, disse a advogada Dagmar Fidelis. 72. “É a chance de olharmos para cá com mais cuidado, algo que, na correria do dia a dia, não conseguimos fazer.”

Na largada, as pessoas já se animavam para tirar selfies com o Farol Santander ao fundo e, nos primeiros metros da prova, com outros pontos importantes que, como a Folha, ajudam a contar a história da capital. À direita, estava o Largo do Paiçandu e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, e, à esquerda, a Galeria do Rock e a Galeria Olido, importantes centros culturais.

Logo depois do primeiro quilômetro, chamava a atenção dos participantes o prédio onde fica a Redação do jornal, na alameda Barão de Limeira. “Olha, a Folha é aqui”, diziam alguns corredores ao passar em frente.

E, se teve muitos momentos bonitos, com pessoas de todo o país e de outras partes do mundo admirando o centro, houve também momentos em que São Paulo escancara suas tristezas e injustiças. Em trechos na rua Líbero Badaró e na praça da Sé, muitas pessoas em situação de rua ainda dormiam. Outras brincavam com os corredores, incentivando-os a não perder o ritmo. “Vai, Galvão”, gritava um homem próximo ao Municipal.

Na subidinha da praça do Ouvidor Pacheco e Silva, antes do largo São Francisco, alguns participantes trocavam a corrida pela caminhada, para logo engatar novamente num declive na praça da Sé. “A prova está muito bem organizada e com pouca subida, o que é ótimo”, disse Andrey Barbosa, 37, gerente comercial. Conversando com a reportagem entre a Sé e o Pátio do Colégio, ele também elogiou a escolha do local. “Muito legal correr pela história de São Paulo.”

Quem gostou também foram os comerciantes. Ariel Carvalho, maître do Café Girondino, aguardava a prova terminar para ver a casa cheia de corredores exaustos atrás de um bom café da manhã. “Este tipo de evento é fantástico para quem tem negócios aqui”, afirmou.

Passando o Girondino, um dos melhores trechos para quem gosta de dar um embalo: a descida da rua Líbero Badaró. Ali os participantes estranharam o cheiro de fumaça, mas ela vinha de longe. Era do incêndio que atingiu uma fábrica de mesa de sinuca no Brás nesta madrugada.

Alguns metros depois, já no quilômetro final da prova de 5 km —a de 10 km ainda tinha mais uma volta—, os corredores atravessaram o viaduto do Chá e seguiram pelos fundos do Theatro Municipal.

Uma última curva à direita na rua Conselheiro Crispiniano, para pegar a avenida São João, e os participantes atravessavam o pórtico da chegada, orgulhosos. “Comecei a correr em fevereiro e terminei fazendo um tempo melhor do que esperava”, comemorou a massoterapeuta Dayana Maldonado, 33.

“Esta corrida é uma forma de trazer gente para o centro, de ocupar esse lugar tão especial”, afirmou a secretária Vera Rodrigues, 73. “Espero que iniciativas assim façam as pessoas e as autoridades olharem com mais carinho para cá. E que a Folha faça outras edições, porque esta foi um sucesso.”

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