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‘É o que me move’, diz Medina antes de retorno ao surfe – 29/03/2026 – Esporte

by Silas Câmara

Sem competir profissionalmente no Championship Tour da WSL (World Surf League) desde o final de 2024, Gabriel Medina, 32, tetracampeão mundial, diz estar preparado para o retorno.

Após sofrer uma lesão no ombro e passar por uma cirurgia em janeiro de 2025, o surfista paulista afirma com tranquilidade: “Me sinto 100% para voltar a viver o circuito de novo”.

Foram seis meses de reabilitação e o restante de preparo, treino e descanso, contou o atleta a jornalistas no sábado (28), de Bells Beach, na Austrália. A praia receberá a primeira etapa da nova temporada do Championship Tour, torneio de elite do circuito profissional, a partir desta segunda (30), no horário local.

Agora, com “frio na barriga, mas tranquilo”, Medina reflete sobre o período afastado e diz que nunca considerou não voltar ao esporte. “Todo dia, todo dia, eu quero surfar, eu quero estar ativo. Na verdade, o que faz mais sentido [para mim] é a competição, é o que me dá prazer. É o que me move.”

De olho em bons resultados nesta nova fase, o surfista medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris-24 anunciou, na última semana, Adriano de Souza, o Mineirinho, como seu novo técnico. “Eu cresci no surfe assistindo o Mineiro. Para a minha geração, era o cara que batia de frente ali com os gringos no circuito mundial”, diz Medina.

A comunicação entre os dois é um dos pontos mais importantes da nova parceria: “É um cara que me entende”, explica Medina, que antes era treinado pelo australiano Andy King. “Falando a minha língua, ainda mais alguém como o Mineiro, que já foi campeão mundial [em 2015] e já passou por várias situações, a comunicação flui mais.”

Enquanto o paulista se recuperava da lesão, um paranaense subia ao posto mais alto do pódio no Championsip Tour: o curitibano Yago Dora, 29, que se consagrou campeão mundial nas águas de Fiji no ano passado.

Voltar a competir como o candidato a ser derrotado poderia representar um novo tipo de pressão sobre um atleta, mas não é assim que Dora encara o desafio. “Com certeza tem uma expectativa maior externa em relação à minha performance neste ano. Mas por dentro eu me sinto mais leve.”

“Eu sei da responsabilidade que eu tenho de fazer uma grande temporada de volta, mas ao mesmo tempo é um peso que saiu das minhas costas, eu ter conseguido o título. Acho que me mostrou muito o caminho que eu tenho que seguir, se eu quiser conquistar mais títulos. Estou bem animado.”

“Eu queria muito não me deixar acomodar depois de conquistar o título. Eu quero continuar evoluindo, é isso que eu sempre fiz no circuito mundial e, independentemente do resultado em si no final desta temporada, eu quero entregar ainda mais do que eu entreguei na temporada passada”, disse o campeão.

NOVAS REGRAS

Em seu 50º ano, o Championship Tour da WSL retorna em 2026 com um novo formato. Serão 12 etapas, sendo 9 na temporada, 2 na pós-temporada e 1 final.

Nas nove primeiras e na final, participam 36 surfistas no circuito masculino e 24 no feminino, enquanto as duas outras etapas terão apenas os 24 homens e 16 mulheres mais bem colocados na temporada.

A final, Pipe Masters, disputada em Oahu, no Havaí, valerá 15 mil pontos para o vencedor, 50% a mais do que as demais etapas, e o circuito agora funcionará no esquema de pontos corridos.

“O Final Five foi uma experiência legal, mas é que não deu nada de errado até hoje, né?”, diz Medina. “Mas poderia ter o risco de chegar lá no dia e alguém estar doente, não estar 100%, e aí um dia definir o que você fez no ano, acho que não seria tão justo.”

“A gente tem que já entrar com gás total ali desde o primeiro round”, afirma Dora, que também aprovou as novidades.

A organizações das chaves de cada etapa também passaram por mudanças. Não há mais as repescagens, e toda bateria vale vaga na fase seguinte. A primeira rodada é disputada somente pelos surfistas de ranking mais baixo.

Dora dá a largada na temporada em Bells Beach direto na segunda rodada, contra o vencedor do encontro entre o também brasileiro Mateus Herdy e o australiano Liam O’Brien. Já Medina, que participa com um “season wild card” (convidado da temporada), encara o mexicano Alan Cleland, também direto na segunda rodada.

No total, dez brasileiros participam do torneio de elite em 2026, sendo 9 homens e 1 mulher. Além de Dora e Medina, concorrem Italo Ferreira, Filipe Toledo, Miguel Pupo, João Chianca, Alejo Muniz, Samuel Pupo e Mateus Herdy. Luana Silva representa o país no circuito feminino.

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