O governo da Espanha anunciou nesta segunda-feira (30) que não permitirá o uso do seu espaço aéreo por aviões militares dos Estados Unidos que participam da guerra no Irã.
“Não autorizamos nem o uso de bases militares nem o uso do espaço aéreo para ações relacionadas à guerra no Irã”, afirmou a ministra da Defesa, Margarita Roble, a jornalistas em Madri. A decisão ocorre semanas após o primeiro-ministro Pedro Sánchez, um dos líderes europeus mais críticos de Donald Trump, negar à Casa Branca o uso das bases de Rota e Morón para atacar Teerã.
A posição do líder espanhol vai na contramão de outros países da Europa, como Alemanha, que prestaram apoio militar aos EUA.
O fechamento do espaço aéreo obriga aviões militares a contornar a Espanha, que é membro da Otan, a caminho de seus alvos no Oriente Médio, mas não se aplica a situações de emergência.
“Essa decisão faz parte da posição já adotada pelo governo espanhol de não participar nem contribuir com uma guerra que foi iniciada unilateralmente”, disse o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, durante uma entrevista à rádio Cadena Ser, ao ser questionado se a decisão poderia piorar as relações com Washington.
Após a Espanha se recusar a autorizar o uso de duas bases militares operadas conjuntamente com os Estados Unidos para ataques contra o Irã, Trump ordenou que seu governo avaliasse o corte de todos os laços comerciais com o país europeu.
“A Espanha tem sido terrível”, afirmou o americano na ocasião, acrescentando que o país “não tem absolutamente nada de que precisamos”. Sánchez chamou a guerra no Irã de “desastre”, comparando-a à invasão da Ucrânia pela Rússia e ao ataque de Israel a Gaza.
As relações entre Espanha e EUA já vinham tensas por questões que incluem migração e a recusa dos espanhóis em se comprometer a aumentar a parcela de seus gastos com defesa para 5% do PIB, como outros países europeus já fizeram.
Sánchez já havia se recusado a permitir que navios transportando armas para Israel atracassem na Espanha e, no mês passado, anunciou planos para processar individualmente proprietários de plataformas de mídia social, que incluem americanos proeminentes, por conteúdo tóxico.
O premiê também escreveu um artigo de opinião no New York Times no qual disse que “líderes no estilo Maga” estavam enganando o público sobre os supostos males da imigração.