As áreas de compras das grandes empresas estão na berlinda, na opinião de Lucas Madureira, CEO da Gedanken, plataforma para homologação e gestão de risco de fornecedores e parceiros. No portfólio de clientes da companhia estão Gerdau, Ambev, Sírio-Libanês, RaiaDrogasil, entre outros.
O aumento do destaque do setor reflete uma mudança no ambiente de negócios, em que a gestão da cadeia deixou de ser operacional e passou a ter impacto direto nos resultados das corporações, segundo o executivo.
“Estamos em um mundo em que o que era verdade há cinco anos deixou de ser —e isso torna as redes de suprimentos muito mais complexas. Hoje, uma falha na cadeia interrompe o negócio”, afirma, destacando que as complicações no cenário combinam fatores conjunturais e regulatórios.
O leque de fornecedores das companhias tendem a ficar cada vez maiores, para o empresário. “Não existe mais o luxo de ter apenas um parceiro homologado, contando que o fornecimento dele seja perene”, afirma.
De um lado, o alto patamar da taxa de juros (14,75% ao ano, após primeiro corte em cinco reuniões do Copom) pressiona os prestadores e aumentam o risco de inadimplência e quebra da cadeia, de acordo com Madureira.
De outro, na opinião do executivo, a reforma tributária ampliará a exposição das empresas ao comportamento dos fornecedores. Pelo novo modelo, o crédito tributário depende do pagamento correto de impostos ao longo da rede e o risco fiscal passa a ser compartilhado entre as empresas envolvidas.
Para o empresário, a reforma deve ter impacto logístico positivo no país.
A soma das tensões globais, da conjuntura nacional e da reforma pode aumentar a disposição para busca de parceiros locais. “Não há como ter um volume muito grande da sua rede de supriementos dependendo da infraestrutura global”, analisa, sublinhando a escalada de tensões globais no último ano.
A entrada de agentes chineses e de outros países asiáticos é outra tendência que está no radar dos gestores de “supply chain” das empresas, segundo Madureira.
“Diferente do passado —em que havia outros ‘players’ que chegavam e tentavam se aproveitar do consumidor local—, hoje, vemos um nível de seriedade muito grande das empresas asiáticas. Eles montam operações com preocupações de estrutura de fornecimento, compliance e relacionamento com o governo“, declara.
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