O que seria de uma corrida espacial sem concorrência? Mal terminamos de ver a missão americana Artemis 2 e já podemos antecipar alguns passos importantes que devem acontecer ainda neste ano vindos do programa lunar chinês.
A meta de chegada da China é conhecida: realizar a primeira alunissagem com astronautas antes de 2030, tornando-se o segundo país a conseguir tal feito e, talvez, o primeiro neste século.
Não estão claras, contudo, quais etapas intermediárias serão cumpridas, e quando. Os gerentes por lá são bem mais opacos que os americanos e, muitas vezes, sabemos das coisas apenas depois que acontecem ou, na melhor das hipóteses, quando estão prestes a acontecer.
A arquitetura das missões lunares tripuladas chinesas vai funcionar assim: dois lançamentos no foguete Longa Marcha 10 levarão até a órbita da Lua, separadamente, a cápsula Mengzhou, tripulada, e o módulo lunar Lanyue, vazio. Ambos farão um encontro e acoplagem em órbita lunar, com dois tripulantes se transferindo ao Lanyue para a descida à superfície. Após a excursão, a tripulação retorna no módulo de ascensão do Lanyue e acopla com a Menghzou, que os trará de volta à Terra.
Não é muito diferente do que o programa americano Apollo fez no século passado. As mais notáveis diferenças são que será preciso lançar dois foguetes, em vez de um, com uma acoplagem das naves em órbita lunar, em vez de na órbita terrestre.
Todos esses sistemas são novos e precisarão ser testados antes que a primeira alunissagem possa ocorrer. Em 11 de fevereiro, aconteceu o primeiro desses grandes experimentos, com o lançamento do primeiro estágio do Longa Marcha 10 acoplado a uma cápsula Mengzhou, com o objetivo de testar o sistema de ejeção de emergência. A nave, portanto, não chegou a ir ao espaço.
Ao longo deste ano, o programa chinês deve lançar variantes menores do Longa Marcha 10, denominadas 10B e 10A, ganhando assim mais testes do primeiro estágio. O 10A, por sinal, levará um satélite lunar experimental e deve voar em meados deste ano. Mais para o fim do ano, o mesmo modelo 10A deve promover o primeiro voo espacial da cápsula Mengzhou, que visitará, sem tripulação, a estação espacial Tiangong.
Para 2027, o Longa Marcha 10 completo (que difere do 10A pela presença de três núcleos no primeiro estágio, similar à configuração do Falcon Heavy, da SpaceX) deve fazer seu primeiro voo. Com a cápsula e o foguete então qualificados, já seria possível à China fazer um voo tripulado à moda da Artemis 2.
A peça faltante é o Lanyue, que permitirá a alunissagem, e não seria surpreendente se ele já fizer os primeiros testes no espaço em 2027; a gerência do programa tripulado anunciou ter realizado testes integrados bem-sucedidos de pouso e ascensão em uma instalação terrestre com um protótipo, em agosto do ano passado.
A China tem vasta experiência recente com pousos lunares, por meio das missões robóticas Chang’e. O programa segue ativo e a Chang’e-7 deve partir para a Lua ainda neste ano, possivelmente em agosto, para procurar gelo de água na região polar sul. A espaçonave já está no centro de lançamento de satélites de Wenchang (onde o programa deve concentrar suas missões lunares, robóticas e tripuladas), em preparação final para o lançamento.
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