Bryan Cranston, Joaquin Phoenix, Yorgos Lanthimos e outras centenas de artistas assinaram uma carta, divulgada nesta segunda-feira (13), contrária à aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount. Segundo os mais de mil roteiristas, atores e diretores, o acordo pode prejudicar a indústria de Hollywood.
O documento diz que a fusão entre dois dos maiores estúdios hollywoodianos resultará em “menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no mundo todo.”
“Temos testemunhado um declínio acentuado no número de filmes produzidos e lançados, juntamente com uma redução nos tipos de histórias que são financiadas e distribuídas”, afirma ainda a carta. “Cada vez mais, um pequeno número de entidades poderosas determina o que é produzido —e em que termos—, deixando criadores e empresas independentes com menos caminhos viáveis para sustentar seu trabalho.”
A compra da Warner Bros. pela Paramount, numa reviravolta que marcou a disputa antes liderada pela Netflix, foi anunciada no final de fevereiro por US$ 111 bilhões. Na ocasião, o CEO da Paramount, David Ellison, disse que o acordo beneficiará a indústria audiovisual e prometeu lançar ao menos 30 filmes por ano nos cinemas.
A carta foi organizada por uma série de grupos de defesa dos profissionais da indústria criativa, como o Comitê da Primeira Emenda, o grupo de liberdade de expressão liderado pela atriz Jane Fonda e a Future Film Coalition, formada por nomes do cinema independente.
O acordo entre a Paramount e a Warner Bros. aguarda a aprovação do governo e está previsto para ser concluído ainda em 2026. Segundo a Paramount, as duas partes não devem enfrentar obstáculos para a aprovação e países como a Alemanha e a Eslovênia já deram o aval necessário.
Diretor executivo da Cinema United, organização responsável por 30 mil salas de cinema americanas, Michael O’Leary disse que o acordo pode acarretar no fechamento de mais espaços de exibição, e Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, afirmou não acreditar que o governo fará uma análise devidamente rigorosa diante do caso.
A carta divulgada por artistas pede que Bonta continue a avaliar o acordo com o rigor necessário. ” “A concorrência é essencial para uma economia saudável e uma democracia saudável”, diz ainda o documento.
“Assim como a regulamentação e a fiscalização criteriosas. A consolidação da mídia já enfraqueceu uma das indústrias globais mais vitais dos Estados Unidos —uma indústria que há muito molda a cultura e conecta pessoas ao redor do mundo.”