Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto e assessor próximo do ex-líder de Cuba Raúl Castro, tentou enviar uma carta diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fora dos canais diplomáticos tradicionais, segundo uma reportagem do jornal Wall Street Journal.
A mensagem incluía propostas econômicas e de investimentos, além de pedidos de alívio das sanções impostas à ilha —Cuba passa por uma crise humanitária e energética após Washington impor um bloqueio de petróleo. Por outro lado, a carta também alertava que o regime cubano estava se preparando para uma possível operação militar americana.
Segundo o WSJ, porém, a tentativa de abrir um canal direto com o republicano fracassou antes de chegar à Casa Branca. O neto do líder cubano, também conhecido pelo apelido de “Caranguejo”, enviou a carta por meio do empresário Roberto Carlos Chamizo González, de Havana, do ramo de aluguel de carros de alto padrão e turismo de luxo.
O cubano, porém, foi impedido de entrar nos EUA por agentes de fronteira ao desembarcar em Miami e acabou enviado de volta à capital cubana, segundo autoridades ouvidas pelo jornal.
Ainda de acordo com o WSJ, a iniciativa de contato direto indicaria uma tentativa do entorno de Raúl Castro de contornar o secretário de Estado, Marco Rubio, conhecido por sua postura linha-dura em relação a Cuba. Filho de imigrantes cubanos, Rubio defende há anos o aumento da pressão sobre o regime da ilha.
Aos 94 anos, Raúl Castro ainda exerce grande influência política no regime. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, o regime pode estar tentando explorar uma eventual disposição de Trump para negociar acordos econômicos sem exigir mudanças estruturais no regime —algo semelhante ao que está ocorrendo na Venezuela pós-Nicolás Maduro.
Na quinta-feira (16), o líder de Cuba, Miguel Díaz-Canel, voltou a reforçar que o país está “pronto” para enfrentar uma investida militar dos EUA.
Trump disse no mês passado que a ilha poderia ser alvo de uma “tomada amigável”, acrescentando em seguida: “Pode não ser uma tomada não amigável”. Desde a operação militar americana na Venezuela, Cuba deixou de receber petróleo de Caracas, que era crucial para o funcionamento de sua economia.
Após pressão de Trump, o México, outro importante fornecedor, também interrompeu as remessas à ilha. O regime recebeu carregamento de um navio petroleiro russo em 1º de abril, após ficar três meses sem entrada do óleo.