A administradora Paula Martins, neta da cantora Dalva de Oliveira, afirma estar recebendo, de diferentes pessoas, várias fotografias, recortes de revistas e outros documentos sobre sua avó que deveriam estar sob a guarda da Fundação Amélia Dias, a Famad, no Rio de Janeiro, por meio do Museu Dalva de Oliveira.
Martins, filha do músico Pery Ribeiro, falou sobre a situação em vídeos publicados nas redes sociais. Nas publicações, ela diz que estes materiais estariam sendo doados e vendidos a terceiros que, por sua vez, estariam dando ou ofertando esses itens a ela, denunciando a irregularidade.
Em nota, a Famad nega que os arquivos estariam sendo negligenciados e diz que todos os documentos sob custódia deles estão preservados, catalogados e seguros em suas dependências. Afirma, porém, que, recentemente, Oswaldo, primo do fundador da Famad, teria dado itens de seu acervo pessoal “a um jovem colaborador”, para fins de pesquisa.
A fundação é uma organização sem fins lucrativos, voltada à assistência de crianças e jovens com necessidades especiais. O acervo, diz a Famad, foi todo composto por “fotografias, artigos pessoais, documentos, faixas, vestidos e itens de uso exclusivo da cantora” doados por Nacib Farah, amigo da artista e presidente de seu fã-clube oficial, em 2015, quando o museu foi inaugurado.
O espaço pertence ao Espaço Cultural Dalva de Oliveira, criado em 2011 com autorização dos filhos da cantora, Pery, pai de Paula, e Ubiratan Oliveira Martins. A fundação ainda afirma que Oswaldo pertencia ao fã-clube de Farah.
Martins afirma que entrou em contato com a fundação pela primeira vez em 2017, quando recebeu uma proposta do Museu da República, no Palácio do Catete, para realizar uma mostra por causa do centenário de Dalva. Na ocasião, ela diz que falou com o pediatra Marcos Antonio Violento, o fundador da Famad, mas que teria tido o acesso aos materiais negado.
“Saber como a fundação teve acesso a esses materiais é um buraco negro em minha vida”, afirma ela à Folha. “Me dói muito saber que eu não tenho acesso a esses documentos, mas que esse acervo tem sido distribuído para qualquer um, para pessoas que têm destruído esses materiais e que não têm noção do que está acontecendo.”
A neta da estrela diz também que recebeu os primeiros relatos de irregularidades há dois anos. Nisso, teria pedido à fundação diferentes vezes que os documentos ficassem sob a guarda dela, mas não teve retorno e foi bloqueada.
No segundo vídeo publicado, Martins compartilha o áudio de um homem que, supostamente, confirma ter tido acesso a itens do acervo. As publicações também mostram que parte deles teria sofrido danos, como rasgos, e apresentam anúncios de venda de outros documentos. A neta da cantora ainda diz que quer organizar esses arquivos e realizar projetos culturais que permitam o acesso do público.
“A Famad esclarece que eventuais restaurações, manipulações digitais ou danos físicos ocorridos após o compartilhamento dessas cópias foram realizados de forma autônoma pelo receptor das imagens”, diz ainda a nota da fundação.