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O primeiro vislumbre da formação planetária – 20/07/2025 – Mensageiro Sideral

by Silas Câmara

Um grupo internacional de astrônomos diz ter observado o processo inicial de formação de planetas, o que certamente ajudará a desvendar como se deu o nascimento do Sistema Solar e como esse fenômeno se replica, com todas as suas variações, em torno de outras estrelas Universo afora.

O trabalho marca a captura de uma etapa crucial na gestação de mundos. Na última década, principalmente graças a equipamentos como o conjunto de radiotelescópios Alma, instalado no deserto do Atacama, no Chile, o estudo de discos de acreção protoplanetários –estruturas que se formam ao redor de estrelas em formação e eventualmente dão origem aos planetas– ganhou enorme impulso. Em alguns casos, além desses agregados de gás e poeira, foi possível detectar embriões planetários já em fase final de crescimento, mas nunca o momento em que os minerais cristalinos que ajudariam a formar esses embriões estavam começando a se solidificar –até agora.

“Sempre soubemos que as primeiras partes sólidas dos planetas, ou planetesimais, devem se formar mais cedo no tempo, em estágios anteriores”, disse Melissa McClure, pesquisadora da Universidade de Leiden, na Holanda, e autora principal do novo trabalho, que contou com a participação de pesquisadores de oito instituições em cinco países. Publicado na revista Nature, ele se baseia em estudos da estrela HOPS-315, localizada a cerca de 1.300 anos-luz daqui, na nebulosa de Órion. Em geral, fazer uma observação dessas é difícil porque há muito gás e poeira circundando o sistema. Mas a inclinação do HOPS-315 facilitou o trabalho, oferecendo uma visão privilegiada das regiões mais internas do disco de acreção.

A detecção inicial dos minerais que indicam o início da formação dos chamados planetesimais, pequenas rochas que eventualmente se agregarão para construir os embriões planetários e, por fim, os planetas, surgiu em dados colhidos pelo Telescópio Espacial James Webb, parceria da Nasa (agência espacial americana) com a ESA e a CSA (suas contrapartes europeia e canadense). A partir dessa pista, os pesquisadores usaram o Alma para visualizar o disco protoplanetário e determinar de onde exatamente vinha o sinal. Ele era proveniente de uma pequena porção do disco que fica numa posição similar ao cinturão de asteroides existente no Sistema Solar, entre as órbitas de Marte e Júpiter.

“Esse processo nunca foi visto antes em um disco protoplanetário –ou em qualquer lugar fora do nosso Sistema Solar”, disse em nota Edwin Bergin, pesquisador da Universidade de Michigan, nos EUA, e coautor do estudo.

Os pesquisadores esperam que os estudos de HOPS-315 permitam compreender com riqueza de detalhes como se dá, passo a passo, o processo que começa com um disco de acreção de gás ao redor de uma protoestrela e termina com planetas formados e uma estrela madura. Chama especial atenção que o material detectado esteja mais ou menos na posição do nosso cinturão de asteroides, já que por aqui eles são essencialmente “tijolos” remanescentes da construção do Sistema Solar. A ideia é que esse sistema jovem possa representar um análogo do nosso, ofertando uma visão de como as coisas teriam se desenrolado por aqui há 4,5 bilhões de anos atrás para que o Sol ganhasse sua família de planetas, dentre eles a Terra.

Esta coluna é publicada às segundas-feiras na versão impressa, em Ciência.

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